O PSOE tenta marcar distâncias com tudo o que a antiga Secretaria da Organização representava quando foi dirigido por Santos Cerdan. A actual número três do PSOE, Rebeca Torró, sublinhou esta segunda-feira que o partido já não mantém “qualquer relação contratual” com Leire Díez e enquadrou as viagens que, segundo a Unidade Operacional Central (UCO) da Guarda Civil, foram pagas a Leire Díez em 2024 com fundos partidários para uma decisão tomada individualmente por Santos Cerdán. Conforme explicou Torró, Cerdán não precisou submeter este tipo de autorização a nenhum órgão colegiado do partido, mas bastou transferir a ordem para a direção. Por esta razão, ele insistiu que cabe agora à investigação determinar Se por trás desses movimentos houve “comportamento individual fora da lei” que o Executivo não descarta mais.
Numa conferência de imprensa após a reunião da direção do partido, em que a direção deu conta, precisamente, das medidas de controlo interno e de transparência adotadas após a queda de Cerdán, Torró defendeu que o resto do Executivo socialista desconhecia as actividades alegadas irregularidades investigadas pela UCO. O Secretário de Organização afirmou que em qualquer partido se pressupõe o exercício da “boa fé” para com aqueles que ocupam cargos de responsabilidade. Em qualquer caso, ele admitiu que podem ocorrer condutas “individuais” que estão longe da legalidade.
Desta forma, tentou reforçar a tese em que o PSOE tem insistido desde que a causa foi conhecida, que é a de que os esgotos do partido responderiam ações pessoais e não uma operação conhecida ou endossada pelos órgãos de administração. “Ninguém o conhecia. Se não, ninguém do Executivo teria tolerado uma ilegalidade”, disse Torró, que avançou que se isso for finalmente “provado”, o PSOE “se defenderá como deve”.
Referiu-se assim à possibilidade de apresentar queixa contra Santos Cerdán e Leire Díez por esses supostos comportamentos irregulares. Neste momento, o PSOE não tomou nenhuma decisão. Limita-se a adiá-la até que a investigação “avança” e a parte “considere” que é hora de fazê-lo. “Não descartamos qualquer acção judicial, mas devemos ser prudentes e o processo judicial deve avançar porque, neste momento, estamos a falar de indícios e factos que não estão provados”, afirmou quando questionado pelos jornalistas.
Torró atribuiu a Santos Cerdán toda a responsabilidade pelas viagens que, segundo a UCO, foram pagas pelo PSOE a Leire Díez em 2024 e também por qualquer conduta que pudesse ter ultrapassado os limites da legalidade. O líder socialista tem defendido que essas decisões dependiam exclusivamente do então Secretário da Organização e aproveitou a oportunidade para cerrar fileiras com o restante do Executivo Federalincluindo o dirigente da partida, também investigado no caso. Segundo explicou, Díez foi um militante que passou “despercebido” dentro da organização e, justamente por isso, não descartou que poderia receber pagamentos para viagens ou subsistência como qualquer outro membro que participou de atividades do partido.
A atual direção também tentou desmantelar as suspeitas sobre a relação contratual entre o PSOE e o advogado Jacobo Teijelo. Depois de ter entregue à UCO cinco faturas emitidas ao partido entre janeiro e maio de 2025, duas das quais não constam da contabilidade oficial enviada por Ferraz, Torró garantiu que o partido forneceu toda a documentação exigida pelos investigadores e negou a existência de pagamentos não registados. “Se não se reflete é porque não existe”ele afirmou.
Explicou que a contratação de Teijelo atendeu a um pedido expresso de Cerdán para lhe prestar assistência na qualidade de Secretário de Organização e que esses serviços deixaram de fazer sentido quando ele deixou o cargo. “Esse contrato foi feito a pedido do Secretário de Organização para assistência do Secretário de Organização e, quando ele deixou de sê-lo, cessaram também os contratos que auxiliavam o Secretário. Não podemos contribuir com o que não existe“, ele se acomodou.
Medidas de “transparência” no Comitê 27 de Junho
A reunião do Executivo Federal desta segunda-feira, presidida por Pedro Sánchez, ficou marcada pela tentativa da direção socialista de traçar uma linha divisória entre a fase atual do partido e aquela liderada por Santos Cerdán como chefe do Secretariado da Organização. Com este objectivo, Torró exigiu o cumprimento das medidas de transparência, controlo interno e regeneração anunciadas há um ano, cujas balanço será apresentado ao Comitê Federal no dia 27 de junho.
“Chegamos ao próximo Comité Federal tendo cumprido todas as medidas anunciadas”, disse o líder socialista, que tem defendido que o PSOE foi mesmo “além” dos compromissos então assumidos. Segundo disse, as reformas promovidas neste período transformaram os socialistas no “partido mais transparente e com as regras internas mais exigentes de todo o país”, mensagem com a qual Ferraz procura provar que reforçou os seus mecanismos de controlo.
Entre eles, Torró destacou que a atual Secretaria da Organização é um órgão colegiado. Da mesma forma, sublinhou que cada membro do Executivo deve apresentar o declaração de bens tanto no início como no final do seu mandato e também foi incorporada a utilização de um aplicativo para que seja registrada a rastreabilidade de qualquer despesa de qualquer membro do partido no exercício de suas funções.
“As mudanças de um ano atrás Não foi apenas uma mudança de rostos.mas um compromisso de melhorar a gestão interna, profissionalizar processos, modernizar e caminhar para uma gestão exemplar”, afirmou Torró.
Fonte: 20 Minutos




