Quase 400 trabalhadores Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO) Dirigiram-se ao Conselho de Administração desta instituição para manifestar a sua preocupação com a situação que o centro atravessa, os danos à sua reputação e a urgência necessária para resolver alguns problemas de gestão “importantes e imediatos”.
Até agora eles aderiram ao carta um total de 383 trabalhadores CNIOentre eles 90% dos dirigentes de grupos e unidades, bem como numerosos membros das associações de investigadores pré-doutorados e pós-doutorados e representantes de diversos grupos de trabalhadores.
O Conselho Curador do CNIO reuniu-se esta segunda-feira após a demissão do gestor José Manuel Bernabé, após tomar conhecimento de um alegado caso de assédio denunciado pelo antigo secretário-geral. Bernabé substituiu Juan Arroyo no cargo em setembro passado, que foi demitido pelo Conselho Curador junto com a ex-diretora científica, María Blasco, depois que vários líderes de grupo solicitaram mudanças após alertarem sobre problemas de gestão, contas deficitárias, queda na produção científica e um clima marcado por denúncias de assédio no local de trabalho e abuso de poder.
Apenas alguns meses depois daquela crise no centro, Barnabé renunciou (último dia 27 de fevereiro) ao cargo de gestor após tomar conhecimento do alegado caso de assédio, tendo os trabalhadores alertado agora para o problema colocado pela rescisão de contratos num cenário de ausência de gestão.
Na carta, a que a agência Efe teve acesso, salientam que os últimos acontecimentos aumentaram a sua preocupação com o futuro da instituição e solicitaram ao Conselho de Curadores uma solução urgente para ter uma pessoa ou representante com poderes legais para assinar, bem como a implementação do “Plano de Ação” que o gestor cessante havia proposto. Nele apontam a importância, prevista naquele plano, de uma reestruturação “profunda” de todo o sistema de gestão e administração do CNIO, e de aprofundar a análise exaustiva das práticas de gestão do centro.
Os signatários consideram que a simples contratação de um novo cargo de dirigente independente será insuficiente “se esta contratação não estiver associada à possibilidade de contratação de uma equipa de gestão de sua confiança para reorientar esta situação”. Citam também, como um dos pontos que exigem uma atendimento de urgência, o caso do pessoal administrativo cujo contrato termina hoje, e destacam que se trata de um grupo subcontratado mas com muitos anos de experiência no centro e que realiza trabalhos essenciais no dia-a-dia, além de outros grupos críticos cujo contrato também termina em breve: informática, manutenção ou instrumentação.
Os funcionários que assinaram a carta pediram “proteção e compreensão” do Conselho de Curadores para ajudá-los a “reorientar o discurso em torno do CNIO na excelente ciência com a qual continuamos comprometidos nesta instituição”.
Resposta do presidente do Conselho Curador
Também em carta, a presidente do Conselho Curador, Eva Ortega Paíno, agradece aos trabalhadores a comunicação e “o tom construtivo com que nos fizeram partilhar as suas preocupações e propostas num momento delicado para a instituição”, acrescenta. “Estamos plenamente conscientes da situação que atravessa o centro e o impacto que os acontecimentos recentes podem ter tido no seu funcionamento e na sua reputação”, prossegue o texto assinado por aquele que é também secretário-geral da Investigação do Ministério da Ciência.
O Conselho de Curadores está trabalhando com “a mais alta prioridade” para adotar as medidas necessárias para garantir a estabilidade institucionala continuidade operacional e o bom funcionamento da gestão do CNIO, garante o documento a que a Efe teve acesso. “Queremos também transmitir-lhe uma mensagem de confiança: o Conselho Curador partilha plenamente da sua convicção de que o verdadeiro valor do CNIO reside na excelência científica dos seus investigadores e no empenho de todas as pessoas que trabalham na instituição.” Segundo Ortega, o objetivo é contribuir para que, o mais rápido possível, o foco volte a ser colocado na ciência de alto nível que o CNIO representa.
Por sua vez, fontes do CNIO afirmaram à agência Efe que amanhã haverá uma reunião de líderes de grupos. Estes, segundo estas fontes, estão atualmente “perplexo, desanimado e chateado com uma carta que não apresenta sequer uma medida mínima para resolver os problemas que foram apresentados ao CNIO.
Fonte: 20 Minutos




