Nesta quarta-feira, os médicos passaram pelo equador do segundo batida ligou desde fevereiro (o quinto desde Junho do ano passado) em protesto contra o novo Estatuto-Quadro do Governo e sem sinais claros de acordo entre os sindicatos convocantes e o Ministério da Saúde. Greves que voltaram a ocorrer acompanhadas de diversas manifestações por todo o país, causando cancelamentos de consultas que aumentam cada vez mais as listas de espera dos pacientes. Isto tem sido apontado por algumas comunidades autónomas, que alertam para o impacto sanitário e económico que a greve já está a ter nos seus sistemas de saúde e que se prevê que aumente, tendo em conta que há greves convocadas, para já, até ao mês de junho.
Os sindicatos convocantes, na verdade, Eles não descartam prolongar as greves além das datas previstas, na ausência de acordo com o Ministério da Saúde, que continuam a exigir a retomada das negociações. Tudo isto apesar de, esta terça-feira, o Ministro da Saúde, Mônica Garciagarantiu que já considerava o texto encerrado, ao que não acredita que possam ser introduzidas mais modificações porque, sustenta, atingiu os seus “limites legais e competentes”.
As autoridades de saúde locais alertaram que a acumulação de consultas pendentes devido a cancelamentos ou atrasos de consultas e cirurgias continuará durante semanas, mesmo depois de terminadas as paralisações. Em BalearesPor exemplo, a Ministra da Saúde, Manuela García, disse que Esta segunda semana de greve médica deixará duas ou três semanas de sobrecarga de cuidados “muito importantes” no arquipélago. Nestes três dias, a greve provocou o cancelamento de um total de 210 operações, 5.290 consultas e exames de diagnóstico e 6.450 consultas nos Cuidados Básicos. A vereadora denunciou uma “absoluta falta de gestão por parte do Governo e da ministra da Saúde” pela qual, segundo lamenta, são os doentes que pagam.
O Comunidade de Madripor sua vez, ontem ascendeu a aproximadamente 5,5 milhões o custo económico dos protestosque também estimam que teria afetado 100 mil consultas, 10 mil exames de diagnóstico e 5 mil cirurgias. “A pressão sobre os cuidados e a carga de trabalho dos profissionais de saúde vão aumentar”, previu a conselheira madrilena Fátima Matute.
Também em Aragão alertaram sobre o impacto da greve e estimam que esta semana os 1.000 operações e 15.000 consultas suspensas, o que significa remarcar exames, com o custo adicional que isso implica para poder repetir procedimentos. “Para que possamos ver um raio de luz, quem tem que retirar este Estatuto-Quadro é o Ministério da Saúde, quem tem que começar a ouvir os profissionais é o Ministério da Saúde porque o problema não são os médicos, o problema é que o ministério deixou de ouvir quem nos cuida”, afirmou o conselheiro aragonês José Luis Bancalero.
Em Galiza, O ministro da Saúde, Antonio Gómez Caamaño, informou esta quarta-feira que as greves convocadas na região pelo sindicato O’Mega provocaram, nos primeiros dois dias desta semana, o suspensão de 22.947 procedimentos médicos, dos quais 432 são operações cirúrgicas.
Um conflito que pode durar “meses ou anos”
Enquanto isso, em territórios como Segóviao sindicato CESM levantou mesmo a possibilidade de substituir greves semanais por uma chamada indefinidacaso não haja avanços substanciais no diálogo com o ministério.
O Sindicato Médico Andaluz disse algo semelhante na manhã desta quarta-feira: “Ninguém leva o protesto a sério e Podemos entrar em um conflito que dura meses ou anos.porque não vamos errar nisso”, alertou o presidente da SMA, Rafael Ojeda, da Andaluzia, onde o custo da greve se traduziu em 53.651 consultas suspensas só na segunda-feira, das quais 30.684 foram nos Cuidados Básicos e 22.657 nos hospitais, com 980 operações adiadas.
Os sindicatos gerais pedem “agilidade” na tramitação
Paralelamente, os sindicatos da área negocial, que acordaram o texto final com a Saúde e que representam todos os profissionais do Sistema Nacional de Saúde (e não apenas os médicos, como os organizadores da greve), solicitaram aos grupos parlamentares no Congresso dos Deputados para agilizar o processamento da lei quando ela chegar à Câmara dos Deputadospara que possa ver a luz nesta legislatura.
Os sindicatos gerais (SATSE-FSES, FSS-CCOO, UGT e CSIF) realizam reuniões com os partidos há semanas –De momento reuniram-se com o Grupo Misto, ERC e PNV—, aos que pedem “altitude” para buscar o interesse geral dos profissionais e dos pacientes. “A reforma do texto regulatório representa um avanço muito importante que ainda pode ser melhorado durante a sua tramitação no Congresso dos Deputados, incorporando algumas das propostas sindicais que não foram aceitas durante a negociação no Ministério”, enfatizam os sindicatos.
Fonte: 20 Minutos




