Ele Ministério da Saúde reformou o decreto que regulamenta as cirurgias estéticas para acabar com a intrusão de trabalho detectada nesta área e delimitar os profissionais que podem realizar este tipo de operações. A iniciativa decorre de um despacho ministerial aprovado pelo departamento de Mônica Garcia em 2024 para “acabar” com esta “intrusão flagrante” que existe no campo da cirurgia estética, e que no final são os próprios pacientes que acabam por pagar. O problema é que, sendo um despacho, não tinha validade normativa suficiente face aos recursos que vieram posteriormente, e os tribunais instaram o ministério a traduzir esta reforma num decreto, que foi finalmente aprovado esta terça-feira em Conselho de Ministros.
A necessidade de regular esta área surgiu há três anos, em janeiro de 2023, quando Sara Gomezuma mulher de 39 anos, morreu após fazer uma lipoaspiração em Múrcia por médico que não possuía especialidade de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética. O caso gerou muita comoção e todos os grupos do Congresso dos Deputados se comprometeram então a promover uma lei para evitar que isso voltasse a acontecer.
O Governo dá mais um passo, neste sentido, com esta alteração do decreto que estabelece as bases gerais para a autorização de centros, serviços e estabelecimentos de saúde. “Esta reforma tem como objetivo fundamental garantir que os centros tenham profissionais de saúde com qualificação oficial, bem como as competências e aptidões adequadas à assistência que prestam”, sublinha a Saúde, que dá a estes centros um prazo de seis meses para garantir que todos os seus profissionais tenham a formação exigida para a sua função.
O texto não deixa mais nada ao acaso. Absolutamente todos os profissionais de saúde devem estar inscritos numa lista, de acordo com a sua formação, para que só possam realizar as intervenções que estejam de acordo com o seu nível de especialização. Em suma, reforça-se o quadro regulamentar que delimita quais os profissionais que podem realizar intervenções de cirurgia estética, para evitar todos os riscos associados a práticas realizadas por pessoas que não possuem as qualificações adequadas. “A regulamentação responde à necessidade de garantir que estes tipos de procedimentos sejam realizados exclusivamente por especialistas com formação oficial obrigatório”.
A saúde tem apostado na cirurgia estética porque é a área onde se detectam mais negligências e maior grau de intrusão no trabalho, mas o decreto se estende a todos os cuidados de saúde, para “minimizar erros” e “prevenir eventos adversos” em qualquer unidade de saúde.
Em suma, esta reforma é mais rigorosa com centros e serviços de saúde aos quais a obrigação legal de assegurar que os cuidados sejam prestados apenas por pessoal com as qualificações e competências adequadas. Para isso, os estabelecimentos devem recolher e oferecer informação atualizada sobre todo o seu pessoal de saúde, incluindo detalhadamente a sua formação e especialidade oficial. Além disso, serão obrigados a informar os novos profissionais sobre as práticas seguras implementadas para garantir a segurança do paciente.
A Saúde também aproveita esta reforma para “atualizar” o catálogo das unidades de saúde, incorporando oficialmente as da Radiofísica Hospitalar e Radiofarmácia; e atualiza as definições de outras que se tornaram “obsoletas”, como Nutrição e Dietética, Planeamento Familiar e Tratamento da Dorpara “adaptá-los aos avanços científicos atuais”.
A regra entrará em vigor no dia 1º de julho e os centros de saúde terão período de seis meses para garantir que sua equipe tenha treinamento adequado de acordo com sua especialidade. Além disso, as comunidades autónomas terão um ano para adaptar a sua oferta de cuidados de saúde às novas definições incluídas nos anexos do decreto.
A Saúde garante ainda que esta iniciativa está alinhada com o Plano de Ação Global para a Segurança dos Doentes 2021-2030 da Organização Mundial de Saúde (OMS), “reforçando a qualidade do Sistema Nacional de Saúde através da consolidação de um modelo de cuidados baseado na segurança e na qualidade clínica”.
Fonte: 20 Minutos




