Um estudo do Ateneo del Data, financiado pelo grupo La Izquierda do Parlamento Europeu, revela que 59,6% dos espanhóis consideram que deveria limitar-se a no máximo três o número de casas dos quais qualquer cidadão pode ser proprietário. Destes, cerca de um terço acredita que “ninguém deveria ter mais de dois”.
É uma das conclusões tiradas do estudo, encomendado pela eurodeputada Sumar Estrella Galán, numa semana de negociações chave para o espaço político, a fim de obter apoio para validar 28 de abril o decreto sobre habitação aprovado pelo Governo há um mês.
O inquérito, realizado entre 10 e 16 de abril junto de uma amostra de 2.200 pessoas, mostra ainda que 75% da população acredita que quem tem duas ou mais casas deveria ser mais tributado e 68,4% concorda com a limitação do preço das rendas na sua zona. O estudo destaca que Esta última questão é compartilhada por 55,5% de pessoas que votam no PP e 53% daqueles que apoiam o Vox, o que daria suporte à tese que Sumar vem compartilhando neste último mês: que o problema habitacional atravessa todos os espectros ideológicos.
Relativamente às causas da redução da oferta de habitação para arrendamento regular, quase 72% pensa que a acumulação de apartamentos em poucas mãos tem muita ou muita influência. O número é três pontos superior entre aqueles que acreditam que o grande problema é a compra de casa para investimento. Nesse sentido, 72,1% dos espanhóis consideram que a compra de casa para fins de investimento deve ser limitada para empresas e/ou pessoas físicas.
Estes últimos dados correspondem à segunda parte do estudo encomendado pela Sumar, que esta segunda-feira revelou que quase três em cada quatro espanhóis (73,6%) são a favor da prorrogação automática por dois anos dos contratos de aluguel vigentes até 31 de janeiro de 2027, constantes do decreto que deverá ser validado em 28 de abril no Congresso.
A pesquisa também destaca que quase metade dos cidadãos reconsideraria o seu voto se o seu partido se opusesse a esta medida, incluindo um terço dos eleitores do PP e do Vox. Os resultados mostram a percentagem de apoio que esta extensão tem entre os eleitores dos diferentes partidos, de modo que quem mais o apoia são os eleitores do Sumar (91%) e os do PSOE (81%), embora também se destaque o apoio maioritário que tem entre os eleitores do PP (65%) e do Vox (60%).
Neste sentido, o Ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduypediu esta segunda-feira à direita que reconsidere a sua posição na votação da próxima semana, após a publicação das conclusões do estudo. “Apelo mais uma vez a todos os grupos parlamentares, e estendemos-lhes a mão, para que reconsiderem a sua posição e não votem contra dos espanhóis e não colocar à frente os interesses de um punhado de operadores financeiros que obtêm lucros excessivos à custa do direito à habitação dos espanhóis”, afirmou.
PP e Vox descartados E dada, em princípio, a boa disposição do PNV, Sumar considera essencial o apoio de Junts ao decreto. Porém, se a missão já parecia impossível depois de os pós-convergentes terem reiterado em mais de uma ocasião que não dariam o seu voto, é ainda mais porque esta quinta-feira anunciaram que estavam a abandonar todas as relações com Sumar a nível governamental e parlamentar após o segundo vice-presidente, Iolanda Diazreafirmou que acredita que o Junts é um partido “classista” e “racista”.
Fonte: 20 Minutos




