O Ministro da Habitação, Isabel Rodriguesreconheceu que o Governo não tem o apoio necessário no Congresso para levar a cabo esta terça-feira o decreto-lei que inclui a prorrogação automática das rendas. “O minuto e o resultado neste momento é esse, mas espero que ainda haja tempo para os grupos políticos reconsiderarem”, disse esta segunda-feira em entrevista à RNE.
“O dramático é que o Parlamento não cumpre acordos e consensos que existem na sociedade”, lamentou o ministro, que atacou o PP por se opor a esse decreto. “Os grupos de direita e a direita nacionalista dos Junts estão a afastar-se daquilo que os cidadãos esperam deles, mas não vou parar até conseguirmos esses acordos. “Acho que o PP, como principal partido da oposição, tem mais responsabilidade”.
Nesse sentido, ele acusou os populares de não aplicação da lei da habitação nas comunidades autónomas em que governa: “É preciso lembrar que o PP não está na oposição, está no governo de muitas comunidades que têm poderes sobre a habitação”.
O ministro também justificou que é o chefe do Consumo, Pablo Bustinduy, quem defende o decreto no Congresso, já que a sua “condição” para assumir essa responsabilidade era, “por honestidade com os cidadãos”, ter apoio suficiente na Câmara: “O maior inconveniente é que os votos não foram dados no Congresso. O colega do Consumo acreditava que tinha força suficiente para o levar a cabo e espero que entre agora e amanhã o consiga.”
Em qualquer caso, negou que tenha sido Sumar quem tenha defendido estas medidas na política habitacional. “Este é um Governo de coligação e, como Ministro da Habitação, defendo as propostas do meu ministério e das de outros ministérios. Para mim o importante é dar respostas. Estaremos sempre ao lado daqueles que defendem o direito à moradia contra aqueles que estão com a especulação.
Bustinduy insiste que as prorrogações solicitadas do contrato de arrendamento “são plenamente válidas”
Por sua vez, o ministro Bustinduy tem se mostrado moderadamente otimista e ainda confia na execução do decreto, como explicou em outra entrevista à RTVE: “O otimismo na política é sempre arriscado, O que depende de um é a determinação e a nossa é inflexível. Nas últimas horas houve manifestações, foram enviadas mais de 100 mil cartas aos deputados, organizações sociais mobilizaram-se… Eu, até ao último segundo, vou fazer o que for preciso para que isso aconteça.”
Bustinduy vê como “possível” e “viável” chegar a um “acordo” com Junts que permita a validação do decreto, embora este acordo seja da responsabilidade do PSOE e passe por aceitar algumas condições dos independentistascomo o IVA franqueado dos trabalhadores independentes, ou seja, a cobrança de IVA pelos trabalhadores independentes que faturam abaixo de um determinado limite.
O ministro explicou que esta medida é uma transposição de uma directiva europeia e que o Governo já “a acordou previamente com Junts quando foi votado o primeiro decreto-lei da guerra no Irão”. Outras condições dos Junts são, segundo Bustinduy, “qualificações aceitáveis” e “alguma medida fiscal” que a Sumar não partilha, mas que “com a prorrogação em vigor poderá valer a pena”, disse.
Bustinduy também incentivou os inquilinos “pedir a prorrogação” dos seus contratos e disse que aqueles que os solicitaram “fiquem tranquilos porque são totalmente válidos”. Ele também pediu-lhes que “pressionassem” os seus representantes públicos.
No entanto, o ministro da Habitação admitiu que, caso o decreto não avance, há dúvidas jurídicas quanto à validade destas prorrogações: “Estaremos viajando por um caminho sem precedentes porque é algo que nunca aconteceu. Vamos caminhar para um cenário inexplorado aguardando a avaliação jurídica. E espero que a justiça fique do lado do direito à moradia”.
Fonte: 20 Minutos




