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O presidente do TEDH defende a independência judicial no Supremo Tribunal contra “ataques” contra juízes e a sua “legitimidade”

Fachada de la sede del Tribunal Europeo de Derechos Humanos (TEDH), con sede en Estrasburgo (Francia).Michel Christen / EFE

O presidente de Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (CEDH), Mattias Guyomarafirmou Mattias Guyomar esta terça-feira no Supremo Tribunal Federal e denunciou os “ataques” contra os juízes e a sua “legitimidade”.

Foi assim que Guyomar falou durante seu discurso em um reunião entre o tribunal com sede em Estrasburgo e o Tribunal Superior espanhol que tem sido presidido pelo presidente do TS e pelo Conselho Geral da Magistratura Judicial (CGPJ), Isabel Perello.

“Atualmente, ocorrem graves formas de contestação contra as instituições que garantem o Estado de direito e, mais especificamente, contra os tribunais internacionais, cuja legitimidade é posta em causa e cuja independência, em determinados contextos, é abertamente posta à prova”, afirmou.

O presidente do TEDH alertou, segundo nota informativa da CGPJ, que “os próprios juízes tornaram-se alvos privilegiados” e que sofrem ““ataques à sua legitimidade, à sua independência e até à sua integridade pessoal”.

Estes “ataques” fazem parte “dos meios para enfraquecer a autoridade das instituições em que exercem”, bem como “dos princípios e valores que encarnam” e, com isso, “prejudicam a sua capacidade de cumprir a missão que lhes foi confiada”, alertando que esta dinâmica “também ocorre a nível nacional”.

Alerta sobre discursos populistas

Da mesma forma, lembrou que o TEDH “é um órgão judicial que protege os direitos humanos” e lamentou que “em certos discursos populistas, esses direitos sejam hoje apresentados como um obstáculo à expressão da maioriacomo algo que beneficia apenas determinados grupos de pessoas – migrantes, presos ou pessoas em situação de especial vulnerabilidade – ou mesmo como instrumentos de um projeto ideológico.

E acrescentou que “estas acusações também se inserem num contexto mais amplo de erosão da adesão aos valores humanistasbem como os princípios do pluralismo e da tolerância”.

“É a expressão do Poder Judiciário e, como tal, está exposto à ação movida contra o ‘imperium’ jurisdicional, denunciado com cada vez mais frequência como forma de ‘despojar o povo da sua soberania’ em benefício de um suposto ‘governo dos juízes’”, concluiu.

Por sua vez, Perelló destacou a trajetória profissional de Guyomar, “um exemplo de compromisso com a Justiça e a defesa dos direitos humanos”, bem como “a sua profunda solidez jurídica, o seu rigor intelectual e a sua constante vocação para o serviço público, que o colocam entre as figuras mais respeitadas da área jurídica no nosso meio”.

Fonte: 20 Minutos

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