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Não dê desculpas para a IA

Un hombre trabajando con Inteligencia Artificial.ARCHIVO

Enrico Caruso é lembrado como um dos melhores tenores da história. O que pouca gente sabe é que a cantora italiana também é considerada a primeiro artista a gravar álbuns comerciais. O ano era 1902, e aparelhos com grande buzina e disco giratório, inventados uma década antes com o nome de gramofones, começavam a se tornar conhecidos. Os músicos da época viam a invenção, que permitia tocar música sem a necessidade de ir a um concerto, como uma ameaça aos seus empregos. Começou a se espalhar a ideia de que os gramofones matariam a quarta arte, acabariam com a música ao vivo e com o emprego de milhares de artistas. Aquele móvel de madeira com chifre volumoso significaria que pianistas e compositores nunca mais apareceriam, dizia-se. Caruso – muito conhecido na Itália – foi considerado um dos cantores com maiores qualidades em seu país. Segundo o amante da música Adolfo Corujo, foi então que se atreveu a desafiar a estrondosa maioria dos especialistas musicais da época e decidiu gravar as suas canções em disco. E o público gostou. Um milhão de cópias vendidas e o que é mais importante, ele se torna o primeiro artista global a inaugurar uma nova era na música.

Caruso acreditava que seu trabalho era abrir portas, e não fechá-las. Enquanto outros reclamavam, ele deu um passo à frente. Outros esperaram que “saisse de moda”, ele entendeu que a moda era o futuro. E graças a esse salto, a sua voz chegou a milhões de pessoas que nunca teriam podido pagar um bilhete para vê-lo no La Scala de Milão. Caruso não perdeu nada e ganhou o mundo.

Hoje estamos exatamente nesse ponto com a inteligência artificial (IA). E, como então, as desculpas abundam. E se a IA tirar nossos empregos? Que não será mais necessário estudar ou aprender línguas. E se ele estiver sempre errado? E se for melhor esperar porque outra tecnologia virá. Ou o que é pior quando se trata de uma empresa, se a IA me obriga a demitir funcionários, escondendo o fato de que é o seu produto que não cabe no momento atual.

A IA não vem para substituir, vem para multiplicar. Para nos tornar mais rápidos, mais criativos, mais produtivos. Eliminar tarefas pesadas para que possamos nos dedicar ao que realmente importa. Para abrir portas que não sabíamos que existiam. Mas para isso você tem que ousar usá-lo. Assim como Caruso teve a audácia de cantar diante de um mamute de metal, madeira e cera.

A história económica mostra que o novo mata, mas apenas o mau; o bom sempre sobrevive. A rádio não matou os jornais. A televisão não acabou com o cinema. A Internet não matou os livros. As calculadoras não acabaram com a matemática. O Spotify não matou a música. E a IA não vai te matar… se você estiver pronto.

Caruso não foi o melhor porque canção mais forte. Foi o melhor porque entendi o primeiro essa tecnologia foi o orador para ir mais longe. Hoje você – como trabalhador, mas também como empresário – tem uma experiência infinitamente mais poderosa com a IA. Abandone as desculpas e vá em frente.

Fonte: 20 Minutos

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