O Congresso dos Deputados concordou retirar provisoriamente o credenciamento de imprensa aos activistas Vito Quiles e Bertrand Ndongo, resolvendo definitivamente a dezena de processos abertos que se acumularam entre eles. A maioria do PSOE e Sumar na Mesa da Câmara tomou esta decisão, na qual o PP não votou, dada a “reiteração de altercações” nas últimas semanas e a “notável deterioração da convivência” segundo fontes do órgão que o determinou.
A suspensão preventiva de acesso de ambos ao Congresso será aplicada imediatamente e está protegida pelo artigo 56.2 do Lei de Processo Comum das Administrações Públicas. Essa linha do regulamento estabelece que “o órgão competente para instaurar ou instruir o procedimento administrativo (…), nos casos de urgência inadiáveis e para proteção provisória dos interesses envolvidos, poderá adotar de forma fundamentada as medidas provisórias que se mostrarem necessárias e proporcionais”. De acordo com este artigo, o Conselho considera essencial “proteger os interesses tanto dos representantes dos meios de comunicação social como dos próprios deputados e, especialmente, das deputadas” enquanto for decidida definitivamente a sanção para cada um dos processos abertos contra ambos os agitadores.
Na sessão desta quarta-feira, o Conselho discutiu as últimas denúncias registradas, mas as reivindicações vêm de longe: a primeira delas – enquanto se aguarda uma resolução final – foi em dezembro passado, quando Vito Quiles gravou o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero sem permissão e, posteriormente, divulgou as imagens em suas redes sociais. O órgão dirigente da Câmara salienta que é “notório” que todas as reclamações registadas são dirigidas “contra o comportamento de dois indivíduos”Vito Quiles e Bertrand Ndongo. E, além disso, alerta nos seus escritos que, longe de se arrepender, há uma vontade “evidente e comprovada” de aumentar a tensão até que o clima seja “tão irrespirável que simplesmente tenhamos que fechar as salas de imprensa”.
somente durante Vários incidentes ocorreram na primeira semana de maio. Por exemplo, esta quarta-feira o Conselho analisou uma carta do Associação de Jornalistas Parlamentares no qual se alega que Ndongo insultou uma representante feminina no dia 5 de Maio e depois dirigiu outras desqualificações contra um jornalista acreditado. Outro dos escritos é do Grupo Parlamentar Sumar, que denuncia que Vito Quiles interrompeu no dia 7 de maio uma conferência de imprensa de Aina Vidal com “óbvia agressão verbal e violência”.
Só na sua reunião de hoje, o Conselho teve de processar quatro relatórios emitidos pelo Conselho Consultivo de Comunicação, composto por funcionários, políticos e jornalistas, por episódios “de níveis intoleráveis de violência verbal e até ataques físicos aos deputados desta Câmara”, apontaram fontes do órgão. “Este desprezo pela liberdade de expressão dos deputados, pelo seu direito de exercer as suas funções representativas na cadeira parlamentar num contexto de respeito, constitui uma verdadeira ameaça ao funcionamento do Congresso e um ataque ao estado de direito social e democrático estabelecido pela nossa Constituição”, decidiram.
Nas próximas semanas, algumas das reclamações acumuladas por ambos começarão a ser resolvidas definitivamente, o que previsivelmente implicará sanções, informam fontes do Congresso. Especificamente, Vito Quiles tem oito arquivos abertosdos quais dois estão em fase final, aguardando apresentação de suas alegações; enquanto o Ndongo tem três no total mas um deles já está na mesma fase final, com proposta firme de sanção. As punições são cumulativas, portanto a resolução de todos os processos poderá levar à expulsão definitiva dos dois agitadores da Câmara.
Fonte: 20 Minutos




