O Observatório Espanhol de Racismo e o Xenofobia (Oberaxe) detectou 105.911 mensagens racistas e xenófobas nas redes sociais durante o primeiro trimestre do ano, com uma média diária de 1.170 conteúdos de ódio, dos quais 55% foram removidos pelas plataformas. A maior parte do conteúdo foi dirigida contra Povos norte-africanos e muçulmanosconforme informou o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, do qual depende o observatório, em comunicado.
Um dos episódios que mais mensagens deste tipo tem desencadeado foi a preparação do decreto real para a regularização extraordinária de imigrantes, com conteúdos que apresentam os migrantes como uma ameaça económica, social e de segurança dirigida aos povos muçulmanos e latino-americanos.
Oberaxe destaca ainda que o discurso de ódio no contexto do desporto, particularmente no futebolcresceu 9% em relação ao trimestre anterior e representa 16% do total de conteúdo analisado.
Futebol, em sua categoria masculinaé reconhecido como “um espaço significativo para a expressão de narrativas xenófobas e racistas nas redes sociais”, sendo as pessoas do Norte de África o principal grupo-alvo (61%). A Taça das Nações Africanas e a sua transmissão e as celebrações de diferentes adeptos nas cidades espanholas geraram um aumento de mensagens hostis ligadas à origem racial ou étnica de jogadores e adeptos, refere o comunicado.
Tem havido ataques dirigidos a figuras individuais, como Lamine Yamal e Vinícius Júnior, que “visam orientar uma narrativa que reflita tensões sociais mais amplas” e, neste contexto, o futebol tornou-se “um espaço de elevada visibilidade mediática para a ativação e amplificação de narrativas racistas e xenófobas”.
62% das mensagens removidas em março
Durante o primeiro trimestre do ano, as plataformas retirado 55% dos conteúdos reportados, mais quatro pontos percentuais que no trimestre anterior, embora em março esta taxa tenha aumentado para 62%. TikTok é a plataforma com maior taxa de retirada (86%), seguida por X (75%), Instagram (42%), Facebook (38%) e YouTube (16%). 46% das mensagens registadas desumanizaram ou degradaram as pessoas a quem foram dirigidas; 33% apresentaram-nos como uma ameaça à segurança e à convivência e 11% incitaram a sua expulsão, “contribuindo para a reprodução de narrativas de exclusão social”.
Linguagem agressiva explícita está presente em 94% dos conteúdos detectadosprincipalmente através de insultos, ameaças e desqualificações, o que para o observatório mostra “uma crescente normalização da violência verbal nas redes sociais”.
O Observatório Espanhol do Racismo e da Xenofobia realizou esta quarta-feira a terceira reunião do grupo de trabalho com as plataformas digitais que operam em Espanha para avançar na colaboração na moderação, deteção precoce do discurso de ódio nas redes sociais e examinar os resultados. A ministra da Inclusão, Segurança Social e Migrações, Elma Saiz, tem defendido, através do comunicado, “continuar a trabalhar intensamente” com as plataformas para detectar precocemente conteúdos e removê-los.
Fonte: 20 Minutos




