A defesa de Begoña Gómez recorreu para o Tribunal Provincial de Madrid do despacho pelo qual o juiz Juan Carlos Peinado concordou em iniciar o procedimento com júri (ou seja, levar a esposa de Pedro Sánchez a um eventual julgamento com júri popular). Em documento de 33 páginas, o advogado Antonio Camacho acusa o instrutor Peinado de investigar a sua cliente “por ser esposa do Presidente do Governo”.
Praticamente desde o início do caso, mas mais especialmente nos últimos meses, o caso Begoña passou entre decisões do juiz Peinado e contínuos recursos da defesa de Begoña Gómez, da defesa de sua assessora Cristina Álvarez e do Ministério Público. No dia 20 de março, o instrutor concordou em iniciar o procedimento de júri. O advogado da esposa do presidente interpôs recurso de reforma – isto é, perante o próprio juiz Juan Carlos Peinado. Em 5 de maio, Peinado rejeitou os apelos de reforma de Begoña Gómez, Cristina Álvarez e Juan Carlos Barrabés, empresário para quem Begoña Gómez assinou várias cartas de recomendação.
Agora, o advogado de Gómez recorre desta última ordem perante o Tribunal Provincial de Madrid, que tem muitos outros documentos pendentes de resolução. O principal argumento apresentado pelo advogado Antonio Camacho é a desmotivação do despacho de 5 de maio. Segundo o advogado, Peinado reproduziu “mecanicamente” no seu escrito de 5 de maio os argumentos constantes de uma resolução anterior de 11 de abril.”Não responde às questões específicas levantadas no apelo de reformao que gera uma situação material de indefesa constitucionalmente proibida”.
O Tribunal Provincial de Madrid já revogou outras resoluções de Peinado, precisamente por falta de motivação. Por isso a defesa de Begoña Gómez insiste em apontar este assunto: “Ela copiou fundamentos jurídicos de uma ordem diferente, emitida em um contexto diferente”.
Uma vez resolvida a questão, o recurso prossegue salientando que não estão preenchidos os requisitos para que a esposa de Pedro Sánchez seja julgada por júri popular. O advogado destaca que entre os crimes imputados – corrupção privada, apropriação indébita, peculato e tráfico de influência – há dois que não são da competência do tribunal do júri. Além disso, Antonio Camacho ressalta que as provas contra seu cliente são falaciosas e não correspondem “à realidade”.
Por outro lado, denuncia que Peinado investiga Begoña Gómez pelos contratos públicos adjudicados ao empresário Juan Carlos Barrabés, que na sua candidatura aos concursos apresentou cartas de recomendação de Begoña Gómez. Camacho explica que estes acontecimentos já estão a ser investigados pela Procuradoria Europeia. E acrescenta que o seu representantejá testemunhou perante esta instituição, “mas como testemunha”.
“A única conclusão que se pode tirar do despacho é que a minha cliente está a ser investigada por ser esposa do Presidente do Governo, como está claramente expresso na décima sétima base legal”, destaca o advogado.
Fonte: 20 Minutos




