Embora ainda existam muitas incógnitas a serem resolvidas na investigação judicial do resgate da companhia aérea Mais Ultraa maioria dos espanhóis vê as acusações contra o ex-presidente José Luis Rodríguez Zapateroacusado nos casos de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e organização criminosa. De acordo com uma pesquisa realizada pela Instituto DYM para 20 minutosdois em cada três entrevistados consideram que os crimes pelos quais o antigo secretário-geral socialista está a ser investigado são algo, bastante ou muito credíveis. Os eleitores do PSOE são os mais cépticos, mas mesmo metade deles mostra sinais de solvência na acusação.
26,6% dos inquiridos consideram que as acusações contra Zapatero são “muito credíveis”, às quais se somam 24,8% que as classificam como “bastante credíveis” e 15,8% que as consideram “um pouco” verdadeiras. São maioria face a 24,2% que os consideram pouco ou nada plausíveis. Indo ao pormenor pelos partidos políticos, a inclinação da balança para o mesmo lado repete-se em todos os eleitorados, embora não com a mesma intensidade. Os eleitores de PP sim Vox São eles que dão mais credibilidade à investigação do Tribunal Nacional. 44,2% e 58,6%, respectivamente, acreditam que há muita verdade nisso e 34,5% e 21,6% consideram as acusações bastante plausíveis. A isto somam-se 10,5% e 11,2% que pensam que são “um pouco” credíveis, enquanto apenas 7,3% e 5,4% os consideram pouco ou nada verdadeiros.
Os eleitores têm mais dúvidas sobre verão e, sobretudo, os de PSOE. Comparado com quase 80% dos eleitores do PP e Vox que consideram as acusações contra Zapatero muito ou bastante confiáveis, entre aqueles que apoiaram Pedro Sánchez nas últimas eleições gerais essa proporção cai para 28,5%. Se somarmos os 17,8% que acreditam ter “alguma” verdade, a percentagem é quase metade, embora se mantenha nos 46,3%. A divisão está marcada: 43% dos eleitores socialistas consideram os crimes imputados ao ex-presidente pouco ou nada credíveis do Governo. A fotografia é semelhante entre os apoiadores de Sumar, embora dêem um pouco mais de credibilidade à investigação: 35,8% acreditam que as acusações contra Zapatero são muito ou bastante plausíveis, 17,3% as vêem como “um pouco credíveis” – ambas as respostas respondem por 53,1% dos entrevistados – e 41,2% as vêem como “algo credíveis”.
O cenário se inverte quando se questiona sobre a confiabilidade das afirmações do antigo secretário-geral socialista, que defendeu sua inocência e chegou a garantir que “nunca” realizou qualquer ação relacionada ao resgate do Plus Ultra. “Toda a minha atividade pública e privada foi realizada com absoluto respeito pela legalidade”, afirmou num vídeo enviado à comunicação social após tomar conhecimento da sua acusação. 51,7% dos entrevistados desconfiam dessas palavras, em comparação com 24,8% que os consideram muito ou bastante credíveis e 14,1% que acreditam que têm “alguma” verdade.
A divisão entre eleitorados repete-se novamente nesta questão. 72,3% dos eleitores do PP e 70,1% dos eleitores do Vox desconfiam das declarações do ex-presidente do Governo, enquanto apenas 14,7% e 13%, respetivamente, acreditam que são muito ou bastante solventes e 8,5% e 12% estão inclinados a pensar que são “algo” credíveis. Entre os eleitores do PSOE e Sumar, são mais os que dão voto de confiança a Zapatero. 38,5% e 40,2% consideram respetivamente que as suas palavras são muito ou bastante convincentes e 19,4% e 17,7% conferem-lhe “alguma” credibilidade. Contudo, as dúvidas permanecem evidentes: 30,4% e 32,8% consideram que as afirmações são pouco ou nada fiáveis.
Quanto ao impacto político da imputação do antigo secretário-geral socialista, 71% dos inquiridos pensam que prejudica muito ou muito a imagem do PSOE. É a consequência a que os entrevistados dão mais peso, embora os próprios eleitores socialistas estejam menos preocupados que os restantes. Mesmo assim, 55% concordam com essa opinião, contra 64,7%, 83% e 89,4% do eleitorado de Sumar, PP e Vox.
Os entrevistados também percebem uma impacto muito ou bastante negativo da acusação à imagem do Governo (64,5%) e à imagem da Espanha no exterior (63,5%). A preocupação a este respeito entre os eleitores do PP e do Vox está mais uma vez acima da média: cerca de oito em cada dez apoiantes destes partidos acreditam que o envolvimento de Zapatero no caso Plus Ultra prejudica estes aspectos. Por outro lado, a percentagem de eleitores socialistas que partilham esta opinião é ligeiramente inferior a metade – 45,3% e 46,4% respectivamente – e entre os eleitores de Sumar ultrapassa ligeiramente esse limiar – 55,1% e 51,9% -.
FICHA TÉCNICA
- Amostra e metodologia: 1.009 entrevistas aleatórias online, aplicando-se cotas específicas por sexo, idade e ocupação. Erro: a margem de erro total é de +/- 3,1% para um nível de confiança de 95,5% na hipótese mais desfavorável. Público-alvo: População com 18 anos ou mais. Trabalho de campo: realizado entre 20 e 22 de maio.
Fonte: 20 Minutos




