Ele Ministério da Saúde elaborou uma lei para fortalecer a participação de organizações de pacientes no desenvolvimento de políticas de saúde. O projeto – que já foi anunciado pelo ministro Mônica Garcia em junho de 2025 – recebeu nesta terça-feira a aprovação do Conselho de Ministros e reconhece legalmente a singularidade destas entidades, consolidando o seu papel como interlocutores e agentes “fundamentais” do Sistema Nacional de Saúde (SNS). Agora vai desembarcar no Congresso dos Deputados para tramitação parlamentar.
A norma reconhece uma série de direitos para organizações de pacientes, que define como entidades privadas, sem fins lucrativos, com órgãos governamentais. composto principalmente por pacientes, familiares ou cuidadores não profissionaise com atividade em mais de uma comunidade ou cidade autônoma. Devem também estar inscritos no Cadastro Nacional de Associações. “É uma norma que tem como objetivo passar da participação ocasional, pontual, informal, para uma participação estável, reconhecida e garantida”, destacou Mónica García na conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. O texto, como ele sublinhou, chega a “cobrir uma lacuna legal” o que fez com que, até agora, os pacientes participassem “de forma informal e um tanto voluntarista em múltiplas áreas”.
Assim, a lei reforça a acesso à informação das organizações de pacientes e estabelece o seu direito de receber, “em formatos acessíveis”, a informação de que necessitam para defender os seus direitos, seja através de qualquer lei, disposição ou acção política que os possa afectar. Também reconhece a direito à participação pública e, em última análise, contribuir para o desenvolvimento e avaliação de planos e estratégias, podendo formular alegações antes mesmo de as decisões finais serem adotadas. Da mesma forma, o seu direito de fazer parte de um censo estadual que facilite o seu diálogo e o acesso a programas de formação continuada nas áreas jurídico-administrativa e técnico-científica.
Neste sentido, a lei garante a presença dos doentes nos principais órgãos de participação e governação do Estado, como a Comissão Consultiva do Sistema Nacional de Saúde, onde garantirá que haja sempre oito representantes de organizações de pacientes.
De sua partea Administração do Estado assumirá “obrigações específicas”: garantir “agilidade” na resposta aos pedidos de informação, promover a utilização de tecnologias de comunicação ou divulgar “ativamente” regulamentos em tramitação ou planos de saúde que afetem os interesses dos pacientes.
Estas entidades poderão também participar noutros espaços estratégicos, como o Fórum Aberto de Saúde, o Conselho de Governança do sistema de avaliação da eficiência das tecnologias em saúde e o Grupo de Adoção de Tecnologias em Saúde.
Verificação de medicação
Também esta terça-feira, foi dado luz verde a um decreto real para atualizar a regulamentação do sistema de verificação de medicamentos e continuar avançando para a eliminação do cupom do selo. O novo quadro legal atualiza o funcionamento do sistema de verificação, integra os serviços de farmácia hospitalar e melhora a gestão da informação utilizada para o controlo e monitorização de medicamentos financiados publicamente.
Segundo o Governo, a reforma adapta o quadro regulamentar à “evolução tecnológica do sistema”, atualizando alguns aspectos para melhorar a interoperabilidade e a troca segura de informação entre as administrações de saúde. “A verificação de medicamentos é uma ferramenta fundamental para impedir a entrada de medicamentos falsificados na cadeia de abastecimento legal”destaca o Ministério da Saúde, que detalha ainda que o sistema incorpora dispositivos de segurança nas embalagens de alguns medicamentos, como um “identificador único” que permite verificar a sua autenticidade e garante a sua rastreabilidade ao longo de toda a cadeia de distribuição.
“Assim dizemos adeus ao cortador, aos autocolantes, à burocracia nas farmácias e damos lugar a uma identificação de medicamentos que será mais segura, mais moderna e mais precisa”, destacou o responsável pela Saúde.
Fonte: 20 Minutos




