O presidente francês, Emmanuel Macron, manteve esta quarta-feira uma conversa telefónica com Pedro Sánchez para “transmitir-vos a solidariedade europeia da França em resposta às recentes ameaças de coerção económica “dos quais Espanha foi alvo” de Donald Trump, que qualificou o Governo espanhol de “terrível aliado” por não permitir que os EUA utilizassem as bases de Morón e Rota na sua ofensiva contra o Irão. A ligação foi confirmada por fontes do Eliseu.
Este passo da França também coincide com o apoio de Bruxelas. “Estamos totalmente solidários com todos os Estados-Membros e todos os seus cidadãos e, através da nossa política comercial comum, estamos prontos para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da UE“, afirma a Comissão Europeia num comunicado a que teve acesso 20 minutos.
“A Comissão garantirá a plena protecção dos interesses da União Europeia“, acrescentou o porta-voz comunitário, Olof Gill, num texto enviado à comunicação social. Além disso, o Executivo comunitário recorda que existe um acordo comercial a cumprir. “O comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos é profundamente integrado e mutuamente benéfico”, acrescenta o texto.
Pouco depois, Sánchez também recebeu um telefonema do presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa. “A UE garantirá sempre que os interesses dos seus Estados-Membros sejam plenamente protegidos. Reafirmamos o nosso firme compromisso com os princípios do direito internacional e com a ordem internacional baseada em regras em todo o mundo”, escreveu o português nas redes sociais. O Chefe do Executivo confirmou ainda uma conversa no mesmo sentido com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“Todos os negócios que temos com Espanha, Tenho o direito de fazer embargos sobre tudo o que tem a ver com Espanha“, observou o presidente americano esta terça-feira no Salão Oval num novo episódio de atritos – ou confrontos – entre Washington e Madrid. Não é a primeira vez… e talvez não seja a última. Entretanto, Sánchez respondeu esta quarta-feira numa aparição.”O Governo não vai ser cúmplice por medo de represálias“, sustentou, e pediu “para não repetir os erros do passado”, numa referência à participação espanhola no Iraque em 2003.
Na sua breve menção, Trump foi muito duro com os movimentos de Sánchez. “Não tem uma grande liderança, é o único aliado da NATO que não concordou em chegar aos 5% e na verdade não pagam nem 2%”, lembrou, referindo-se ao aumento da despesa com a defesa, e fê-lo perante o chanceler alemão, Friedrich Merz, que de certa forma seguiu essa mesma linha. “A Espanha é a única que não está disposta a aceitar e estamos a tentar convencê-los de que isso faz parte da segurança comum e que os números devem ser cumpridos”, disse. O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, já explicou esta quarta-feira em entrevista à TVE que contactou Berlim expressar “surpresa” pelo facto de Merz não ter vindo em defesa de Espanha.
Fonte: 20 Minutos




