Um dos argumentos recorrentes daqueles que se opõem ao acolhimento na sua cidade ou comunidade dos menores imigrantes que as Ilhas Canárias agora acolhem é aquele que os liga um suposto aumento da criminalidadecomo se pôde constatar nos recentes acontecimentos ocorridos na localidade cantábrica de Cartes, onde os moradores protestaram contra a chegada de 18 menores.
Você tem uma base para essa afirmação? Os deputados do Parlamento Europeu que visitaram as ilhas em setembro para conhecer a situação da Rota das Canárias (entre eles, três espanhóis, do PSOE, PP e Vox) perguntaram diretamente à Procuradora de Menores do Tribunal Supremo, Teresa Gisbert, e à procuradora-geral da comunidade, María Farnés Martínez.
A entrevista com eles foi a portas fechadas, mas Os eurodeputados recolheram as suas respostas no relatório de 37 páginas que publicaram esta semana as recomendações feitas pela Comissão das Petições do Parlamento Europeu à própria União Europeia e às autoridades espanholas em matéria de migração e às Ilhas Canárias.
Os dois procuradores, explica o relatório, corroboraram a delegação europeia que “houve um aumento da criminalidade (nas Ilhas Canárias) após a chegada de menores não acompanhados”, mas com esta nuance: “Os crimes são cometidos principalmente contra eles”.
“Embora os oradores reconheçam que alguns menores migrantes podem cometer crimes, enfatizam que a maioria é vítima de crimes como exploração sexual e laboral“acrescenta o texto.
E que crimes sofrem os menores africanos abrigados nas Ilhas Canárias? Teresa Gisbert e María Farnés Martínez também deram detalhes aos deputados a este respeito: o relatório da sua visita às Ilhas Canárias afirma que foram convocados “brigas, insultos e agressões sexuais, que ocorrem principalmente em abrigos”.
Abusos cometidos por funcionários do abrigo
Quando estes seis eurodeputados visitaram as ilhas (setembro de 2025), a Polícia das Canárias e o Tribunal de Violência contra Crianças de Las Palmas de Gran Canaria – o único em Espanha especializado nesta matéria – já tinham lançado a operação que levou ao encerramento de quatro abrigos para menores, por alegados crimes de maus tratos e racismo contra eles.
A própria procuradora-geral das Ilhas Canárias mencionou o motivo destes encerramentos: abusos cometidos por funcionários do centro contra menores migrantes de quem legalmente tinham que cuidar.
Por sua vez, o procurador Gisbert respondeu ao eurodeputado que questionou “os MENAs” porquê nem o Ministério Público nem ele próprio utilizam essa sigla de menores estrangeiros não acompanhados, embora o referido, Jorge Buxadé, do Vox, tenha defendido que este termo “não é racista nem xenófobo” e “é aceite internacionalmente”.
O Ministério Público espanhol, disse a Buxadé o seu representante em matéria de menores, “rejeita firmemente a utilização do termo MENA, por considerá-lo desumanizante e por focar na sua condição de estrangeiros e não na sua vulnerabilidade como menores”, além de considerar que este tipo de utilização tem levado alguns cidadãos a “ligar esse conceito a crimes ou situações problemáticas”.
Fonte: 20 Minutos




