Quase cinquenta projetos de lei que receberam aprovação do Senado para tramitação estão bloqueados no Congresso dos Deputadoscom prorrogações dos prazos para infinitas alterações. Algumas delas, as iniciativas mais antigas em preparação, como a alteração da lei do IVA ou a lei contra a ocupação, acumulam-se até 84 moratórias sobre o prazo para apresentação de alterações. PSOE sim verão Eles usam a maioria no Conselho do Congresso para congelar indefinidamente o processamento dos projetos enquanto o PP denuncia o “bloqueio sistemático”. Projetos de lei e propostas de grupos e comunidades autônomas também estão pendentes para receber luz verde do Conselho.
O boicote legislativo é exercido, na sua maior parte, sobre propostas do Partido Popularembora também existam iniciativas de parceiros governamentais, como junto ó ERCfruto do compromisso assumido de apoiar a investidura de Pedro Sanches. Aliás, uma das propostas é reduzir a pressão fiscal sobre as PME e os trabalhadores independentes, apresentada pelo Grupo Plural (Junts, Coligação Canária, Agrupación Herreña Independiente e BNG), cuja medida central é libertar o pagamento do Imposto sobre Atividades Económicas à maioria das pequenas e médias empresas e trabalhadores independentes, fixando o limite de volume de negócios em dois milhões de euros. O texto faz parte das negociações de Junts com o Governo mas já conta com 24 adiamentos.
Do total de 42 projetos de lei que foram aprovados na Câmara Alta e ainda estão parados na última etapa da tramitação parlamentar, 36 são propostas legislativas do PP. Vários deles também são bandeiras políticas dos populares que se materializarão se chegarem à MoncloaSegundo fontes partidárias, “pelo menos os princípios”, mesmo que o conteúdo do texto tenha de ser modificado. São, por exemplo, as que permitiriam o despejo de um posseiro em 24 horas – está parado há dois anos –, a reforma antecipada sem penalização de membros das Forças Armadas, da Polícia Nacional, dos Guardas Civis e dos Serviços de Vigilância Aduaneira; o endurecimento do Código Penal para aumentar as penas contra o tráfico de drogas; ou sua lei do solo.
Outras iniciativas são uma forma de reagir e supervisionar as decisões do Executivo ou seus parceiros que causaram polêmica. Por exemplo, a que tenta reformar a lei de defesa nacional para aumentar o controlo parlamentar sobre o envio de contingentes militares para o estrangeiro ou a que altera o Estatuto Orgânico do Ministério Público para reforçar a independência da instituição e evitar que responsáveis políticos nomeados pelo Governo assumam a Procuradoria-Geral do Estado imediatamente a seguir, como aconteceu com a polémica nomeação de Dolores Delgado. Além disso, no âmbito dos pactos do Governo com EH Bildu e Junts, os partidos populares procuram modificar o regime eleitoral geral para proibir pessoas processadas ou condenadas por crimes graves, como terrorismo ou rebelião, de serem candidatas às eleições, bem como reforçar os requisitos para a classificação e progressão do grau de prisão para os condenados por terrorismo.
Prorrogação após prorrogação para evitar debate, segundo o PP
Em matéria fiscal, uma das bandeiras do movimento popular, Ainda está pendente o processo para tentar reduzir o IVA dos cabeleireiros para 10%bem como baixar a taxa da carne, peixe e conservas para 4% ou para 0% sobre os alimentos básicos, recuperar o bónus automático de 50% para empresas e trabalhadores de Ceuta e Melilha ou aliviar a carga fiscal dos agricultores e pecuaristas através da reforma da tributação do sector primário, perfil de eleitores que, com o actual cenário político, reúne milhares de votos decisivos. Na verdade, uma das intenções do PP é que os diferentes partidos políticos se posicionem publicamente sobre diferentes temas, mas acusa a Comissão do Congresso de roubar o debate. “Eles colocam extensão após extensão para evitar que isso seja discutido.”insistem desde Génova, onde consideram que o Governo tem “medo” de que certos textos avancem, já que alguns foram aprovados por unanimidade no Senado.
A alternativa que têm é registrar diretamente a iniciativa no Congresso dos Deputados, para pelo menos forçar o debate na Câmara, e foi o que fizeram, por exemplo, com a sua lei de terras ou a lei anti-grilagem. Enquanto isso, o PP tenta lutar contra esta paralisação da tramitação das leis: ““Apresentamos petições contra o Conselho, mas eles não concordaram com o desbloqueio, por isso demos mais um passo”.explicam as mesmas fontes partidárias. Esse passo foi apresentar um conflito de poderes entre ambas as câmaras perante o Tribunal Constitucional pelo “bloqueio sistemático e injustificado” das iniciativas provenientes do bastião legislativo do PP, onde detém maioria absoluta. Confiam que a resolução do conflito obrigará a Mesa do Congresso a reativar a tramitação das iniciativas apresentadas pelos populares.
Fonte: 20 Minutos




