Mais de um terço dos agregados familiares em Espanha acredita que a sua habitação precisa de uma reforma para melhorar eficiência energética. Isto fica claro no Inquérito às Condições de Vida publicado esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o que indica que o custo é a principal barreira para a realização dessas reformas. Isto faz com que a proporção de famílias que não renovam as suas casas, apesar de considerarem necessário, aumente vertiginosamente entre as famílias menos abastadas. Entre 20% de Famílias com menos rendimentos, duas em cada cinco acham que a sua casa precisa de mudanças para reduzir o consumo e poupar energia, em comparação com um em cada quatro que partilha essa percepção entre os agregados familiares mais ricos.
A necessidade de realizar melhorias como o reforço do isolamento térmico da casa ou a renovação do sistema de aquecimento é assim mais notória entre as famílias com menos recursos. Neste segmento, a percentagem de agregados familiares que afirmam viver numa casa que não foi renovada apesar de necessitarem dela sobe de 34,4%, que é a média nacional – acima dos 19,5% que vivem num imóvel renovado nos últimos cinco anos – para 41%. No extremo oposto da mesa, Entre os 20% de domicílios com maior rendimento, essa proporção cai para 25,3%.
A diferença entre as famílias mais humildes e as mais ricas aumenta quanto mais velho é o lar, dado que A idade anda de mãos dadas com uma maior necessidade de renovação. Entre as famílias de baixa renda que residem em imóveis construídos antes de 1960, 51,2% acreditam que sua casa precisa de reformas para melhorar a eficiência energética, enquanto entre as famílias com mais recursos que moram em uma casa da mesma idade, 27,5% acreditam que é necessária uma intervenção. Esta diferença diminui progressivamente à medida que os anos de construção diminuem. Dos que vivem em apartamentos construídos depois de 2011, 18,3% e 11,6%, respetivamente, consideram que a reabilitação é necessária.
Segundo dados do INE, aproximadamente três em cada quatro famílias em Espanha vivem em edifícios construídos no século passado. Especificamente, a maioria são apartamentos construídos nas décadas de 80 e 90 (30,6%), bem como nas duas décadas anteriores (29,4%). Apenas 6,9% das famílias residem em habitações construídas após 2011. Por nível de rendimento, os agregados familiares com menores rendimentos estão mais presentes em habitações mais antigas. 50,7% das famílias com menos recursos vivem em casas construídas antes de 1980, em comparação com 35,9% das famílias mais ricas.
Além do nível de renda, Os agregados familiares que vivem de arrendamento valorizam mais a necessidade de reabilitar a casa em que moram. 44,1% dos inquilinos que pagam renda ao preço de mercado acreditam nisso, contra 30,9% dos que são proprietários da casa onde residem. Além disso, por tipo de casa, as famílias monoparentais com um ou mais filhos dependentes são as que mais percecionam que a casa onde vivem necessita de alterações para melhorar a sua eficiência energética, apesar de não as terem conseguido fazer (40,3%).
Quanto ao principal motivo para não ter realizado as reformas que o imóvel necessita, A maioria das casas aponta para o custo da reforma. 76,2% acham que a obra é “muito cara”. São muito poucos os que apontam “problemas administrativos” (2,6%) ou a dificuldade em encontrar profissionais (1,8%). As famílias com menos recursos consideram o custo mais problemático. 83,8% indicam que é o principal obstáculo, contra 62% que concordam com essa opinião entre as famílias mais ricas.
Fonte: 20 Minutos




