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Previsão para Teresina
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Cheiro de cemitério de promessas e outras decisões adultas

olor a cementerio de promesas1 de cada 10

Estou tão farto que, se você me pressionar, me declararei uma propriedade em ruínas.

Farto de amor barato, de conversas que começam com fogos de artifício e terminam com “conversamos”, “até mais”, “te ligo” que soa como um funeral barato, do qual até o próprio morto preferiria continuar vivo só para te apontar o dedo, porque é ridículo. A verdade é que não falamos, nem nos vemos, nem nos telefonamos.

Farto dos intensos que engasgam antes de começar a beber e prometem oceanos e depois não sabem nem encher um copo de água. Farto daqueles que dizem “não sou como os outros”. Na verdade, você não é; Você está pior, filha de *!

Sou tão ruim no amor que deveria ter descontado na minha declaração de imposto de renda por danos e prejuízos e assim, pelo menos, arranjei algumas brigas por causa do IVA: IVA, veio, foi e nunca mais voltou.

Você sabe por quê? Eu vou te contar. Porque não tenho uma história romântica; Tenho um arquivo de 500 páginas no escritório do FBI, ao lado da gravação da caixa de ferramentas. Sempre pego aquele que “cura”; aquele que “não procura nada sério”, mas pernoita três meses; a do “’sim, mas não’ quando me convém”; aquela que diz “pega uma migalha, até daqui a três semanas, se tanto”; aquela de “eu nunca tinha sentido isso” até ele sentir com outra na terça-feira seguinte…

Então tomei uma decisão adulta e razoável: matá-los.

É uma piada. Vou tatuar cada pelo pubiano no formato de um mini coração. Um para cada sonho que realizei sozinho. Um para cada filme que editei com as dicas que me deram (é a única coisa que edito com confiança, aparentemente). Uma para cada mensagem relida vinte vezes (vinte, eu digo; ha) em busca de uma nuance que não existia. Uma para cada vez que pensei “desta vez sim, com esta não só o meu coração bate, o meu coração bate forte” com a mesma convicção com que alguém compra um bilhete de lotaria acreditando que é o único ser vivo que o faz e que vai ganhar. O que há de errado, você mora sozinho no planeta??

Querido você: isso não importa para você. Você não consegue uma pessoa sã, você vai ganhar na loteria. Você é um idiota… Já sei o que vou fazer então. Sim, vou furar minha barriga com uma agulha. Será meu jardim particular de fracasso romântico. Um campo de corações microscópicos, resistentes e teimosos que posso acariciar satisfatoriamente quando saio do meu caminho, enfim; e pergunte-lhes “o meu problema é falta de amor, falta de limites ou vivo no século errado?”

Imagine a cena: eu, sério, no estúdio de tatuagem.

-Projeto? – eles perguntavam.

—Minimalista. Repetitivo. Obsessivo. Como meus pensamentos excessivos, todos obsessivos e ansiosos, com todas as minhas personalidades no ar.

O tatuador achando que é uma metáfora. Esperançosamente, como o restaurante na areia.

A verdade é que estou cansado do épico. De “quando você menos espera”. De “tudo vem”. “Hummmm, sou estúpido e acredito nisso, hehehe.” A única coisa que me vem são aulas e anfitriões. E já estou com a prateleira cheia.

Mas olhe para mim. Eu ainda estou aqui. Cínico, sim. Ácido, muito. Mas meu pulso ainda treme quando alguém olha para mim por meio segundo a mais com um cabo de guerra cativante, e eu trago à tona o realista sujo e imundo dentro de mim que fica mais intenso do que deveria em algumas ocasiões.

Talvez eu não precise tatuar nada. Talvez o problema não seja amar demais, mas insistir demais em quem não sabe sustentar ou não tem tempo para tudo o que valho.

Embora eu não exclua mini corações. Pelo menos esses, não importa o que acontecesse, ficariam comigo e nunca parariam de bater por mim ou por você, que não percebe.

© Sara Levesque

Fonte: 20 Minutos

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