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Obrigados a pagar para conseguir consulta prévia na Imigração: “Brincam com a nossa necessidade”

Oficina de extranjería, a 14 de octubre de 2024, en Madrid (España).Europa Press / Europa Press

Valéria passou dois meses grudada no celular tentando marcar uma consulta na Imigração. A documentação desta colombiana que prefere usar este nome fictício para preservar seu anonimato, o cartão vermelhoo documento que comprova que seu pedido de proteção internacional ainda está em tramitação, tinha prazo de validade: 6 de setembro de 2024. “Mas não consegui, não houve agendamento”, lembra.

Naquela época, ele ia muitas vezes a uma loja de telefones para enviar dinheiro para sua família na Colômbia e um dia, discutindo seu problema, eles lhe deram uma solução: poderiam marcar uma consulta para ele. “Foi tudo simples, só tive que enviar minha documentação para eles verem quando expirava e com o tempo conseguiram a consulta”, conta Valéria.

O processo de agendamento, que é gratuito, porém teve um custo. “Cobraram-me 50 euros, que paguei ali mesmo na cabine, em dinheiro”, recorda. Assim, Valéria conseguiu manter sua documentação em ordem até saber se seu pedido de asilo foi aceito.

O caso de Valéria não é único. Nos últimos anos, a Polícia Nacional desmantelou diferentes conspirações que bloquearam ou monopolizaram nomeações para procedimentos de imigração por meio de programas de computador e depois revendê-los para quem precisa resolver procedimentos urgentes. Os preços para conseguir essas consultas podem chegar até 200 euros.

Embora a actividade destes intermediários seja ilegal, muitas pessoas recorrem a eles quando a sua situação administrativa e vital depende da obtenção de uma consulta que lhes permite continuar em situação regular enquanto aguardam que o seu pedido de proteção internacional seja resolvido. “Paguei e a verdade é que graças a Deus renovaram meu cartão por mais um ano”, lembra Valéria.

Falta de agendamento

Elena Muñoz, chefe do departamento jurídico da Comissão Espanhola de Assistência aos Refugiados (CEAR)há anos que vemos esta situação nas pessoas que pedem asilo em Espanha: “Intervimos principalmente no processo de proteção internacional e observamos este mercado irregular de compra e venda de consultas, um processo que é totalmente gratuito e não deve ter qualquer custo”, explica.

Muñoz afirma que, depois da pandemia, “praticamente em todas as províncias tornou-se difícil ou demorado o acesso a estas consultas”, e que esta escassez levou a anúncios “em diferentes plataformas, como Wallapop ou as páginas amarelasafirmando que estas consultas eram vendidas por preços que podiam variar entre os 50€ e os 200€, ou até mais.”

Para ela, a raiz do problema é clara: “A origem deste mercado negro é a escassez de agendamentos. Quando há mais pessoas que precisam de agendamento do que agendamentos disponíveis, “Há quem lucre com esta situação.”. E dá um exemplo revelador: “Nas províncias onde não houve esta escassez de nomeações, ou naqueles outros procedimentos, como a protecção temporária destinada a pessoas que fogem da guerra na Ucrânia, este mercado não surgiu”.

Nos últimos anos, o sistema de proteção internacional tem estado sob grande pressão. De acordo com o Escritório em casaem 2025 foram formalizados 144.396 solicitações de protecção internacional e o Gabinete de Asilo e Refúgio resolveram 160.951 expedientes. Este valor representa um aumento de 67,2% face ao ano anterior e é o mais elevado desde a criação do gabinete em 1992.

Mas só porque mais arquivos são resolvidos não significa que o acesso ao procedimento esteja garantido desde o início. “De acordo com as diretivas europeias, se uma pessoa solicitar asilo, no prazo máximo de 3 a 6 dias deverá ter o seu pedido registado”, afirma Muñoz. Dado o incumprimento destes prazos, em junho de 2023, CEAR e mais de 20 entidades especializadas apresentou um queixa à Comissão Europeia denunciando como em Espanha a falta de nomeações gera graves deficiências e dificuldades no acesso ao procedimento de asilo.

E assim, neste engarrafamento, cresceram intermediários que prometem, através de pagamento, o que o sistema não garante: um agendamento prévio com a administração.

Rotas alternativas e prisões

O Ministério do Interior afirma que “a Polícia Nacional trabalha constantemente para melhorar o sistema de convocação e torná-lo mais ágil e seguro”. Nas províncias com maior procura, explicam, “permitiram sistemas alternativos solicitação no site de agendamento, através de telefones, e-mails ou atendimento presencial”, e enviar o Portal de imigração para verificar qual opção está operacional em cada local.

“Por outro lado”, afirmam do Interior, “as Forças e o Corpo de Segurança realizam investigações para evitar qualquer tipo de fraude”. Assim, em maio de 2023, 69 pessoas foram presas após o desmantelamento de um quadro que, evitando as medidas de segurança do site da Imigraçãobloqueou o sistema de agendamento usando um bot de computador, um programa projetado para executar tarefas automaticamente na Internet. A trama, que funcionava em todo o país, conseguia conseguir agendamentos disponíveis e depois vendê-los a preços que variavam de 30 a 200€.

Em setembro de 2024, o Polícia Nacional deteve duas pessoas na província de Valência que, supostamente, bloqueou o sistema de agendamento online para procedimentos de imigração com a ajuda de um bot. O caso começou depois de várias reclamações: os afectados pagaram uma consulta que posteriormente verificaram não existia.

Meses depois, outra rede mais ampla caiu: 21 detidos em várias províncias que usaram o mesmo sistema para marcar compromissos e vendê-los. Nas buscas, os agentes também localizaram documentação falsificada ligada ao cabecilha, utilizada para processar de forma fraudulenta autorizações de residência.

A última detenção conhecida ocorreu em outubro de 2025: duas pessoas foram detidas no bairro madrileno de Puente de Vallecas, acusadas de obter consultas em massa, neste caso por telefone, e revendê-los por 50 euros cada.

Além disso, o problema não afecta apenas a Imigração. A união A UGT também denunciou que “mercado negro” de compromissos anteriores noutros serviços públicos, como o processamento de subsídios de desemprego ou procedimentos de Segurança Social.

Para Elena Muñoz, gerente jurídica do CEAR, a mudança de canais foi um freio parcial, e a interrupção desses esquemas é um progresso, mas não resolveu realmente o problema: “A realidade é que nenhuma dessas medidas impediu 100% que essas nomeações continuassem a ser vendidas e compradas”.

A porta de entrada

O compromisso não é apenas uma data no calendário. Para quem chega à Espanha e pede proteção internacional, é literalmente a porta de entrada para o sistema. “Como requerente de proteção internacional, você possui um documento provisório que indica que seu pedido está em andamento. Mas essa documentação, até que seu pedido seja resolvido, deve ser renovada”, explica Muñoz.

Assim, na prática, o bloqueio de marcações para renovação de documentação provisória traduz-se em consequências concretas. Sem o documento que o identifica como requerente, alerta Muñoz, a pessoa fica mais exposta à identificação policial, o acesso à autorização provisória de trabalho é demorado, o acesso aos cuidados de saúde é complicado e as formas de entrada no sistema de acolhimento, com alojamento, manutenção e apoio social, psicológico e jurídico, ficam fechadas.

Os procedimentos são lentos e tediosos, com renovações constantes. Um ano depois de pagar aquela consulta no salão, O cartão vermelho de Valéria expirou novamente: O seu pedido de asilo ainda não tinha sido resolvido e ele precisava de renovar o certificado que comprovava que era requerente de proteção internacional. E novamente viveu a mesma situação: os dias se passaram sem que ele conseguisse marcar consulta. “Durante um mês e meio visitei a página da imigração, fiquei até 12 ou 1 da manhã, mas nunca consegui marcar hora”, conta Valéria.

Ele não morava mais perto do salão, então um conhecido lhe deu um telefone: “Haviam marcado para ele renovar, então também entrei em contato com eles”. Mas desta vez o preço foi diferente: pelo mesmo procedimento pelo qual um ano antes pagou 50€, Agora pediam-lhe 120 euros.

Ele concordou, fez o depósito através do bizum e esperou. “O mais triste”, diz Valéria, “é que quando paguei, a senhora não me atendeu mais, já desapareceu”. Ela foi enganada.

Relatórios seguros

Denunciar as redes que lucram com a venda de compromissos é importante, insiste Muñoz, mas para isso precisamos garantir Canais de denúncia seguros: mecanismos para que aqueles que ainda não puderam ingressar no procedimento e, portanto, não possuem documentação que os proteja, não sejam expostos à expulsão por ousarem apontar fraude.

“Um, como estrangeiro, faz isso por medo”, Valéria comenta, referindo-se ao motivo pelo qual aceitou pagar para conseguir a consulta, “medo de não sentir que tem aquela proteção, aquele pedacinho de papel vermelho que te diz que pelo menos você é legal aqui e que tem autorização de trabalho”.

“Compreendo a situação que estas pessoas atravessam”, reconhece Muñoz, mas insiste: “não podemos alimentar esse mercado”. Entre as alternativas, sugere deixar registo por escrito: registar um pedido dirigido à unidade competente solicitando marcação e, caso não chegue, dirigir-se à Provedora de Justiça ou procurar apoio de entidades especializadas e serviços de orientação jurídica.

Foi o que Valéria fez depois do golpe. Por meio do CEAR, explica ela, uma assistente social a encaminhou para um advogado que a ajudou a renovar o cartão sem pagar novamente a intermediários. “Não precisamos ser pagar a terceiros prestar este serviço para nós quando isto também nos pertence. Eles não precisam nos manipular dessa forma e brincar com as nossas necessidades”, diz Valéria.

Há duas semanas, ele finalmente recebeu asilo. “Esta manhã fui à polícia deixar as minhas impressões digitais para processar o meu primeiro cartão de residência”, diz ela alegremente. Ele espera por esse momento há quatro anos e meio. Mas você sabe que essas autorizações de residência não são permanentes, também devem ser renovadas. E fazer essas marcações para renovação é igualmente complicado? “Bom, foi isso que perguntei hoje ao policial, e ele me disse que eu tinha que ir pessoalmente marcar a consulta. Esperemos que seja muito mais fácil…” diz Valéria, com esperança, mas sem confiança.

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Fonte: 20 Minutos

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