O ex-diretor geral de gestão de pessoas da Adif Michaux Miranda destacou Isabel Pardo de Vera como responsável pela compra de cinco milhões de máscaras da empresa Soluciones de Gestión, central no caso Koldo. Conforme explicado no depoimento de sua testemunha perante o Suprema Cortefoi ele quem propôs à empresa Victor de Aldama sim Pardo de Vera tomou a decisão final, já que ela era “a entidade contratante”.
Esse contrato foi assinado em 27 de março de 2020, sete dias depois de Puertos del Estado ter adjudicado à Soluciones de Gestión o primeiro contrato para compra de máscaras. Tanto a atribuição de 24,2 milhões de euros de Puertos del Estado como a de 12,5 milhões da Adif foram assinados ao abrigo de dois despachos do Ministério dos Transportes assinados pessoalmente por José Luis Ábalos.
Michaux Miranda prestou depoimento como testemunha, tal como Isabel Pardo de Vera esta quarta-feira, mas ambos estão a ser investigados por estes factos no Tribunal Nacional. Na sua presença, o ex-funcionário da Adif negou que Koldo García ou José Luis Ábalos lhe tenham ordenado a adjudicação do contrato para aquisição de cinco milhões de máscaras para Management Solutions. Da mesma forma, afirmou não ter recebido nenhuma comissão.
Por outro lado, respondendo às perguntas do advogado de Ábalos, Marino Turiel, Miranda defendeu que a empresa de Víctor de Aldama “cumpriu” o contrato. “Houve um atraso inicial devido às condições turbulentas”, mas “dentro de um mês todo o contrato foi cumprido”.
Segundo contou a testemunha à Segunda Câmara, Adif começou a procurar um fornecedor de máscaras no início de março de 2020, “com bastante zelo” e com pouco sucesso. No dia 20 daquele mês, Puertos del Estado adjudicou um contrato para a compra de oito milhões de máscaras à Soluciones de Gestión, conforme explicou esta terça-feira o ex-subsecretário de Transportes perante o Tribunal.
Então Miranda Pareceu “bom senso” entrar em contato com Puertos del Estado e perguntar sobre o preço pelo qual conseguiram as máscaras. Foi assim que o ex-gerente da Adif contatou no papel Íñigo Rotaeche, testa de ferro do comissário Víctor de Aldama e dono da Soluciones de Gestión. Ao mesmo tempo, a instituição avaliou outra oferta vinda de uma empresa chamada Injoo Technology.
Como destacou o advogado que liderou as acusações populares, Alberto Durán, um relatório do diretor geral financeiro da Adif analisou ambas as ofertas e concluiu que Soluciones de Gestión tinha uma nota “três em dez” na sua solvência e uma “alto risco de inadimplência”. Comparada à empresa do comissário, a Injoo Technology apresentava um “risco de inadimplência médio”. Mas Miranda decidiu propor formalmente à entidade contratante – Pardo de Vera – a adjudicação do contrato à Management Solutions.
“Entendemos que não havia risco financeiro porque a Adif não adiantou o dinheiro”, justificou, acrescentando que a decisão coincidiu com o momento em que as máscaras encomendadas pelos Portos do Estado começaram a chegar a Espanha.
Nesta terça-feira, o atual presidente da Adif, Luis Pedro Marco de la Peña, e uma trabalhadora chamada Rosa Montero Collado também prestaram depoimento perante o Tribunal. Ambos participaram da elaboração de um relatório da Adif que em 2024 revisou alguns contratos adjudicados pela empresa.
Fonte: 20 Minutos




