A luva branca com a qual o Ministério dos Transportes e o Governo da Andaluzia evitaram acusar-se mutuamente de questões relacionadas com o acidente ferroviário de Adamuz foi-se dissipando com o passar das semanas e esta terça-feira fê-lo um pouco mais quando o ministro, Óscar Puente, alinhou-se com a Associação de Vítimas do Descarrilamento de Adamuz, que na passada sexta-feira exigiu ao Governo da Andaluzia uma “investigação exaustiva” sobre a actuação dos 112 serviços de emergência, competição autónoma. Puente também exigiu explicações sobre uma possível “atenção tardia” que poderia ter causado parte das 46 mortes em plena pré-campanha para as eleições andaluzas de 17 de maio.
“Foram mais de 200 chamadas das vítimas para os serviços de emergência e o que as vítimas dizem é que algo que também precisa de ser esclarecido é se a negligência na forma como o serviço 112 foi prestado poderia ter levado à morte de pessoas devido ao atendimento tardio”, disse Puente na sala de imprensa de Moncloa após o Conselho de Ministros.
Questionado ali sobre a denúncia das vítimas do acidente de Adamuz à Direção sobre o funcionamento do 112, o ministro reiterou que “deve ser esclarecido o funcionamento naquela noite dos serviços de urgência”, que, disse, atuaram com métodos “rudimentares”, com “lápis e papel” e “sem ter os habituais sistemas de apoio tecnológico”, algo que descreveu como “muito grave”.
“Quase três meses depois (do acidente de trem), sabemos muitas coisas que o tempo dirá se foram importantes”, observou sobre os escritos ao juiz e os relatórios da Guarda Civil e da CIAF sobre se “Adif substituiu uma pista a 700 metros de distância ou pegou um pedaço de pista que eles descartaram”. “Ficamos muito entretidos com isso, mas para mim e para as vítimas parece de capital importância saber o que aconteceu com os serviços de emergência”, disse Puente um dia depois que o presidente da Adif, Pedro Marco de la Peña, apareceu em outra entrevista coletiva para rejeitar parte do último relatório da Guarda Civil, denunciar suas “conjecturas” e lembre-se que ainda não existem elementos “probatórios”.
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Por outro lado, Puente indicou que o seu Ministério se concedeu uma prorrogação para selecionar quem presidirá a nova autoridade de investigação de acidentes, que reunirá num só os ocorridos nos domínios aéreo, ferroviário e marítimo.
Segundo disse, “não está a ser fácil” encontrar alguém que queira assumir estas tarefas, neste momento, “com uma investigação em curso e todos os dias desde o acidente com pressão sobre a investigação ou sobre a própria investigação”. “É imenso e encontrar uma pessoa que queira assumir isso não é fácil”, disse Puente.
O Ministério procura um perfil “eminentemente técnico” e, dado o contexto atual, que venha da área ferroviária, disse. “Mas não está a ser fácil e foi dado um novo prazo para encontrar o perfil e a pessoa certa”, notou.
Fonte: 20 Minutos




