Pedro Sanches sim Alberto Núñez Feijóo Este fim de semana irão medir os seus modelos de política externa numa agenda diplomática de alta tensão. O presidente do PP receberá em Madrid Maria Corina Machado para apresentar o seu apoio à oposição venezuelana contra o regime chavista. O Presidente do Governo nem estará em Madrid, mas sim em Barcelona, onde será exibido ao lado de Lula da Silva em cúpula bilateral que será seguido por dois outros eventos destinados a destacar seu perfil anti-Trump. O contraste dos desfiles diplomáticos continua no sábado. Enquanto o PP apoiará a mobilização da diáspora venezuelana na Puerta del SolSánchez estará em Barcelona rodeado de aliados progressistas como Gustavo Petro ou Yamandú Orsi, numa dupla cimeira em que O líder socialista procura esticar ao máximo a mensagem de ‘Não à guerra’ e exaltar-se como anfitrião da “alternativa” internacional a Trump.
Até agora nenhum membro do Governo pretende reunir-se com o líder venezuelano e vencedor do Prémio Nobel da Paz, será Feijóo, o presidente de Madrid, Isabel Diaz Ayusoe o prefeito da capital, José Luis Martínez-Almeidaaqueles que recebem e protegem María Corina Machado em sua visita à Espanha. A agenda de Sánchez estará totalmente focada em Barcelona, onde se entrelaça três cimeiras em que o aspecto institucional é misto como presidente espanhol com o de líder socialista.
A agenda de Pedro Sánchez e Lula da Silva começa esta sexta-feira no Palácio Pedralbes com o primeira cimeira bilateral entre Espanha e Brasilum encontro com o qual ambos os governos pretendem encenar a sua harmonia política e fechar uma dezena de acordos em áreas como minerais críticos, inovação, ciência ou cooperação social.
Para além do bloco institucional, o acontecimento é atravessado pela geopolítica. Em cima da mesa estarão, sem dúvida, as suas posições sobre o multilateralismo e o conflito no Médio Oriente e a adequação da sua liderança face a Donald Trump. Fontes governamentais também assumem que Venezuela aparecerá nas negociações —ambos foram contra a operação norte-americana para prender Nicolás Maduro—, embora sem prever gestos em direção à líder da oposição María Corina Machado, que estará a pouco mais de 600 quilómetros de distância.
Especificamente, na sede do Partido Popular. Em Génova, o líder venezuelano será recebido por Feijóo e pela sua equipa “com todas as honras” e entre aplausos, como recebem “aqueles que ganham eleições”, afirmam fontes do partido, que salientam que “os lados ficarão claros”. Primeiro, o presidente do PP terá uma reunião às 10h com Machado. E, mais tarde, ambos participarão num evento com responsáveis do PP e venezuelanos residentes em Espanha, do qual surgirá uma declaração conjunta de ambos os políticos. Mais tarde irá à Casa de la Villa para receba a Chave de Ouro da cidade de Madrid da mão de Martínez-Almeida.
Cúpula tripla anti-Trump versus medalha tripla para a oposição venezuelana
Mas o prato principal é apresentado para sábado, onde Sánchez apresentará um menu no qual com certeza vai misturar perfil institucional e partidário com duas cimeiras diferentes mas realizadas no mesmo local, a Fira de Barcelona, e com convidados repetidos. Por um lado, o PSOE e outras plataformas políticas de esquerda organizam a Mobilização Progressiva Global (GPM)uma cimeira que reúne ativistas, sindicatos, partidos políticos progressistas e também líderes internacionais para lançar uma mensagem que também pode ser resumida no ‘não’ ao modelo de Donald Trump.
Sánchez e Lula são encarregados de encerrar este evento com um discurso que reunirá líderes europeus como Stefan Löfven (PES) e também líderes internacionais, incluindo presidentes latino-americanos como Gustavo Petro e Yamandú Orsi ou o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa. Além de vários ministros de Sánchez, também estarão ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero -criticado pela oposição venezuelana pela sua proximidade com o regime chavista-; o presidente da Generalitat, Salvador Illa; e o prefeito de Barcelona, Jaume Collboni. Ao lado de dirigentes sindicais de outros países, estarão também os secretários-gerais dos sindicatos UGT e CCOO, Pepe Álvarez e Unai Sordo, respetivamente.
Entretanto, Machado, acompanhado pelo último candidato da oposição nas eleições venezuelanas, Edmundo González, será visto nas ruas de Madrid, mas também manterá um encontro mais íntimo com a comunidade venezuelana. Ayuso estará esperando por você nos Correios Reais para lhe entregar dois prêmios: a Medalha de Ouro da Comunidade de Madrid para Corina, e a Medalha Internacional para Edmundo González. Será um dia em que Machado pretende encerrar “encher Madrid à maneira venezuelana”, com uma concentração da diáspora venezuelana que deverá ultrapassar 200.000 pessoas na Puerta del Sol.
Em Barcelona, um grupo de dirigentes presentes no evento progressista organizado pelo PSOE e outros partidos deslocar-se-á – no mesmo local – para um cimeira a portas fechadas organizada pelos governos de Espanha e Brasil. Esta é a quarta edição do ‘Em Defesa da Democracia’, que conta com a participação de representantes de mais de quinze países.
Entre os convidados, o Governo tenta anunciar aos quatro ventos a confirmação do Presidente do México, Claudia Sheinbaumcuja presença é interpretada como um gesto de détente bilateral, após anos de tensões diplomáticas depois de o Governo mexicano ter exigido que a Coroa espanhola pedisse desculpas pela Conquista. Foi um pedido que nunca foi atendido oficialmente, embora o atendimento de Sheinbaum tenha sido precedido por um “gesto” de Felipe VI ao destacar que na conquista do México “houve muitos abusos”.
Desta forma, Sánchez porá fim a um desfile “ao estilo catalão” de líderes internacionais progressistas de todo o mundo. Enquanto isso, Feijóo, Ayuso e Almeida Desfilarão na capital ao lado de Corina Machado e Edmundo Gonzáleznuma visita que embora no caso de França tenha sido com o Presidente Emmanuel Macron e na Holanda, com o Primeiro-Ministro, Rob Jetten, em Espanha não será com Sánchez.
Fonte: 20 Minutos




