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Irmã Sol não trabalha há três dias…

Sol Gallego-Díaz, primera mujer directora de El País, ha fallecido a los 75 añosSamuel Sánchez

Quanta dor por esta grande perda, tão prematura! Sol faleceu um dia depois do 50º aniversário do nascimento do El País, que sabiamente dirigiu de 2018 a 2020. Generosa como sempre, não quis estragar-nos a festa. Muitos obituários e artigos foram publicados sobre sua vida e obra (e me parecem poucos). É difícil para mim dizer quem era o nosso Sol e por que a admirava tanto sem ficar aquém. Vou tentar brevemente, caso me ajude: Sol foi o melhor jornalista que conheci na vida. Certamente, o melhor da Espanha. Com rigor, compromisso ético com a verdade e respeito pelos fatos verificáveis, buscou apaixonadamente a origem das informações. Sempre esteve comprometida com os valores da Democracia, da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Ele sabia separar vozes de ecos. Sendo tão presunçoso, fiquei maravilhado com a sua modéstia, o seu distanciamento de toda pompa, a sua alergia à bajulação e a sua solidez ética e profissional. Ela era séria, uma trabalhadora exagerada, quase uma workaholic, nada festeira. Mas também, caloroso e afetuoso. Ele sabia sorrir e demonstrar discordância ou raiva apenas com o olhar. Ele tinha um ótimo faro para divulgar notícias complexas. Um tanto teimoso ou teimoso, especialmente se algo entrasse em conflito com seus princípios. Se ele dissesse “bem, não”, não valia a pena insistir. Todos nós a amávamos. Embora ela nunca tenha sido minha chefe em termos de trabalho (era correspondente quando eu era editora-chefe do El País), sempre admirei suas “auctoritas”, claro, com um toque libertário. Ele estava muito acima daqueles que se vangloriavam de suas “potestas” devido às suas posições. Se digo que ela era a “chefe” é porque a considerava a mais influente do nosso grupo de amigos e colegas. Sol faz jus ao seu nome e brilha em curtas distâncias, cara a cara e em pequenos grupos. No individual foi ótimo. Hoje lembro-me, não sem dor, de dois jantares (com bom vinho) que tive a sós com ela. Uma em Londres, onde ela era nossa correspondente, depois da entrevista que fiz lá com Ruiz Mateos, que fugiu da justiça. A outra foi em Almería (com camarão vermelho, claro), no final da sua master class sobre a Europa para os meus alunos universitários. Inesquecível as risadas que trocamos. Me arrependo de não ter jantado com ela mais vezes. Em grupos grandes ela era sombria ou tímida, quase distante, mas sempre espirituosa e exigente. Rebelde, sim. Complacente, não. Ele era a pessoa que menos valorizava os prêmios e tinha todos eles. Ele gostava de fazer bem o seu trabalho. Ele amava seu trabalho. Há duas ou três semanas procurei sem sucesso o seu artigo de domingo no suplemento Ideias do El País. Foi a primeira coisa que li quando recebi o jornal. Isso me deu uma sensação ruim. Não ousei perguntar sobre sua saúde. Há alguns dias recebi a bronca sobre seus cuidados paliativos. No papo dos “anos cinquenta” fundadores do jornal, Jesús Ceberio, ex-diretor do El País, acertou em cheio:

“Sol marcou o caminho. Vamos tentar segui-lo. E quando nos perdermos vamos nos perguntar como ela faria isso.” Não poderia ser melhor dito, querido Cebe. Descanse em paz, querido Sol. Não vou te esquecer enquanto eu viver.

Fonte: 20 Minutos

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