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“Esperamos que 15 milhões de moradias nos unam novamente”

Miles de participantes acampaban en la Puerta del Sol de Madrid durante las concentraciones del 15-M.EFE

Quinze anos depois do protesto de cidadãos 15M, com epicentro em Madrid, os protagonistas desse momento asseguram que ainda há motivos para descontentamento e defendem a replicação dessa onda de indignação com questões que afetam boa parte dos espanhóis, como a habitação.

“Esperamos que 15 milhões de moradias unam novamente grande parte dos cidadãos, deixando de lado as siglas e confrontos políticos”, diz Fabio Gándara, um dos promotores da manifestação de 15 de maio de 2011 em Madrid, que levou ao icónico acampamento na Puerta del Sol.

Nesse dia, milhares de cidadãos saíram às ruas em diferentes pontos de Espanha, mobilizados através da Internet, para mostrar a sua indignação num momento de grave crise económica. coincidindo com o fim do governo de José Luis Rodríguez Zapatero. Em Madrid, 24 pessoas foram detidas pela Polícia e, no final da marcha, cerca de trinta decidiram passar a noite ao ar livre na Puerta del Sol em sinal de protesto. O resto é história.

Gándara, que na altura tinha 26 anos e pertencia à plataforma ‘Real Democracy Now’, acredita que “Existem razões mais que suficientes” por um novo 15M. Uma opinião partilhada por outras sete pessoas que, de idades semelhantes, viveram na linha da frente daquele movimento e agora partilham as suas memórias e reflexões.

Entre eles está Gemma García, que dormiu na Puerta del Sol na primeira noite e depois foi uma das integrantes da equipe de coordenação do assembleias gerais realizadas na praçaonde os cidadãos debateram temas como feminismo, educação, economia ou ambiente.

“A questão da habitação infelizmente ainda é válida e está a agravar-se. outros 15 milhões seriam necessáriosClaro que o faria todos os anos”, afirma, embora esclareça que não se trata de replicar o que aconteceu então, mas sim de replicar aquele espírito de protesto cidadão.

Guillermo Fernández, professor do Carlos III de Ciência Política e outro dos “indignados” do 15M, acredita que agora uma nova “mobilização disruptiva” seria desejável. “É possível e um dos temas que penso que poderia incentivar uma certa transversalidade seria a habitação”, afirma.

As demandas de 15 milhões ainda estão em cima da mesa

Frustrados pela falta de expectativas, e alguns deles desempregados na altura, os jovens foram o rosto mais visível dos 15M, e Puerta del Sol era o quilômetro zero desse descontentamento, com slogans como “Chamam-lhe democracia e não é”, “Dormimos, acordámos” ou “Ficar indignado é melhor do que demitir-se”.

O acampamento Sol se desfez no dia 12 de junho, após 28 dias, mas o espírito do 15M continuou algum tempo depois em assembleias de bairro e municipais. “Acredito que a maior parte das demandas dos 15 milhões ainda estão em cima da mesa”, lamenta Julia Ramírez-Blanco, historiadora de arte e autora do livro 15 M: O tempo das praças.

Na sua opinião, “a qualquer momento” poderá surgir um novo 15M, mas alerta que a insatisfação está agora a ser canalizada através do “populismo de direita”. “Seria necessário que houvesse mobilização cidadã enfrentar coletivamente os problemas que temos”sustenta Marta G. Franco, jornalista que durante a 15M fez parte da equipa responsável pela gestão das redes sociais e do site. Aída Zancajo, que fez parte do colectivo ‘Juventude sem Futuro’, também acredita nisso, embora agora tenha dificuldade em encontrar um ponto de confluência devido ao clima de “polarização”.

Além da Porta do Sol

O 15M teve o seu epicentro na Puerta del Sol de Madrid, onde Julio Albarrán falou e fotografou muitas das pessoas indignadas. “Eles mostraram como poderia ser uma sociedade auto-organizadaisso funcionaria de maneira diferente. Algo que é quase mais necessário hoje do que naquela época”, ressalta.

Mas os 15M foram replicados em praças de outras cidades de Espanha e também entre espanhóis residentes no estrangeiro, como Iñaki Olazábal, que na altura trabalhava em projetos de cooperação internacional na Mauritânia. “A nível institucional e político, muitas das coisas que aconteceram nestes 15 anos ainda Eles não teriam sido possíveis sem os 15Mmas penso que esse espírito de espontaneidade, de assembleia, de participação cidadã para além dos partidos políticos ficou muito esvaziado, e seria muito bom reativá-lo”, sustenta.

Os protagonistas do 15M concordam que foi um momento único que pegou a todos de surpresa, embora não tenha sido por acaso, pois nasceu no calor das mobilizações sociais da época, alguns dos quais sobrevivemcomo a Plataforma dos Atingidos por Hipotecas (PAH), a maré branca em defesa da saúde pública e a maré verde na educação.

E sustentam que um dos legados mais palpáveis ​​do 15M foi o fim do sistema bipartidário, com o surgimento de novos partidos políticos como o Podemos que, para algumas das pessoas indignadas da época, Não corresponderam às expectativas desta onda cidadã. “Acabaram por replicar vícios da velha política, como a hiperliderança ou os confrontos entre lados”, queixa-se Gándara.

Fonte: 20 Minutos

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