O juiz do Tribunal Nacional José Luis Calama registra no carro onde descreve a investigação por suposto tráfico de influência sobre ajuda pública ao Plus Ultra um pagamento de 2.000 euros em dinheiro de um investigador a Jéssica Rodríguezex-companheiro do ex-ministro José Luis Ábalos. O nome do ex-companheiro do ex-líder socialista também aparece na resolução em que o juiz concordou em investigar o ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero, colocando-o como “núcleo decisório e estratégico” de uma suposta rede de tráfico de influência para canalizar ajudas públicas à referida companhia aérea.
Calama inicia seu caso com os esforços realizados desde 2020 pelos investigados para que o Plus Ultra pudesse obter ajuda pública e a vontade de estabelecer para isso contactos “a nível político”, entre outros com Ábalos e Zapatero. Entre as conversas que proporciona, o juiz inclui uma entre dois investigadores, o empresário Felipe Baca e um advogado, Palomero, datada de 31 de dezembro de 2020, na qual o primeiro o instrui “a realização de dois pagamentos” a duas mulheres, uma delas Jéssica Rodríguezpor 2.000 euros.
Para o efeito, enviou-lhe uma captura de ecrã de um contacto telefónico onde aparece o nome “Jess” com um número espanhol, em referência a Jéssica Rodríguez, “publicamente conhecida pela sua relação com José Luis Ábalos”, acrescenta o juiz. O magistrado salienta ainda que esta entrega “foi adiada devido ao temporal Filomena”.realizada em janeiro, embora não explique o porquê.
Outro aspecto que a ordem do juiz revelou é o apoio internacional que a Unidade teve de Crime Económico e Fiscal (UDEF) da Polícia no âmbito das investigações. Especificamente, contou com a ajuda da Homeland Security Investigations (HSI), agência de investigação dos Estados Unidos que colocou à disposição da UDEF a extração do conteúdo de um celular de Rodolfo Reyes, um dos investigados e identificado no documento como acionista de fato da Plus Ultra.
O juiz inclui muitas conversas de Rodolfo Reyes para tentar obter influência política para ter acesso a ajudas públicas para a companhia aérea e foi ele quem sugeriu pedite “ajude Zapatero” – a quem ele certa vez se referiu como “pana”– para o tema “lobby político”.
Fonte: 20 Minutos




