O ex-ministro dos Transportes José Luís Ábalosem prisão provisória pelo caso Koldo, garantiu esta sexta-feira que notificou o Presidente do Governo, Pedro Sanchessobre a sua recusa em aprovar o resgate de 53 milhões de euros a Mais Ultra, uma operação ao microscópio após a acusação do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero por sua suposta mediação. “Não era uma companhia aérea consolidada”, lembrou.
Em declarações ao programa Manhãs 360 da TVE, o ex-ministro queria negar que houvesse “dois caminhos” para obter o resgatecomo suspeita o juiz José Luis Calama na acusação do ex-presidente socialista. O magistrado aponta um através do próprio Ábalos e outro através de Zapatero, que adquiriu “um papel predominante” e permitiu à companhia aérea atingir os seus objetivos.
Para Ábalos, a existência destas duas linhas de influência diferenciadas é “falsa”. “Ninguém se dirige a mim de forma alguma. Muito pelo contrário”, disse o antigo líder socialista, que diz ainda que foi no Conselho de Ministros que tomou conhecimento da aprovação do resgate.
Segundo explicou, Zapatero passa por cima dele e “fala diretamente” com o ex-secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Habitação, Pedro Saura. Depois, Ábalos dirigiu-se ao Presidente do Governo para mostrar a sua rejeição ao empréstimo. “Quando descobri, encaminhei ao presidente, avisando que não era relevante, que não era uma companhia aérea consolidada”, revelou, afirmando posteriormente que não sabe se seu ex-assessor Koldo García intercedeu porque “agiu na rua secundária”.
Em conversa revelada pelo jornal O mundo entre Ábalos e Saura, ambos já mostraram sua oposição ao resgate. “Minha opinião é que você deveria dizer ao presidente que eles têm que suspender e reverter o acordo Plus Ultra e, segundo, que a Sepi está fora de controle”, escreveu então o ex-secretário de Estado.
Nas mesmas declarações enviadas desde a prisão de Soto del Real, Ábalos também mostrou a sua indignação com a diferença de tratamento do PSOE com o seu caso e a acusação de Zapatero pelo caso Plus Ultra. “Há uma duplicidade bastante evidente no tratamento. Zapatero está protegido, está protegido, está recebendo cobertura, enquanto eu não tive oportunidade.“, lamentou o ex-ministro. “Entendo que a presunção de inocência joga para todos no mesmo nível e sinto-me muito magoado com a posição do partido”, concluiu.
O Governo defende o resgate
Por seu lado, o Governo recordou que a Plus Ultra recebeu esta ajuda em março de 2021 do Fundo de Apoio à Solvência de Empresas Estratégicas (FASEE). devido ao impacto da pandemia. “Como companhia aérea, insere-se num sector estratégico, conforme estabelece a regulamentação, e cumpriu as exigências de uma empresa deste sector. O auxílio responde a um procedimento administrativo”, indicaram fontes do Executivo.
O Governo indicou que a concessão de empréstimos “se baseia num quadro regulamentado”, onde não há espaço para “discricionariedade, arbitrariedade ou discriminação”. “A regulamentação exige o estrito cumprimento dos requisitos estabelecidos“, afirmam. No caso específico do Plus Ultra, especificaram que a decisão favorável foi tomada com base em “meia dúzia de laudos técnicos” que “endossaram e confirmaram o cumprimento do Plus Ultra aos requisitos estabelecidos”.
Além disso, do Plus Ultra, eles transferiram seus “total disponibilidade para colaborar” no caso que o Tribunal Nacional está a investigar a alegada utilização irregular do resgate de 53 milhões de euros concedido pelo Governo durante a pandemia e a alegada rede de tráfico de influências que, segundo o juiz de instrução José Luis Calama, o ex-Presidente Zapatero lideraria. Em comunicado esta quinta-feira, a companhia aérea indicou que teve conhecimento do levantamento do sigilo do resumo do processo judicial e que está a “analisar” o despacho “com o máximo rigor”.
Bruxelas diz que quadro europeu foi seguido
Da mesma forma, a Comissão Europeia recordou esta sexta-feira que o resgate de 53 milhões de euros da companhia aérea Plus Ultra não precisava da sua aprovação para ser executado de acordo com as regras europeias de auxílio de Estado, porque não atingiu o limiar mínimo que exige que a operação seja notificada a Bruxelas para exame individual e porque o apoio veio através de um fundo de recapitalização que foi validado pelos seus serviços.
De acordo com as regras do marco temporário que a Comissão lançou para apoiar o coempresas mais atingidas pela crise derivada da pandemia do coronavírus“apenas as decisões de auxílios superiores a 250 milhões de euros, destinadas à recapitalização ou ao apoio à solvência de empresas específicas, tiveram de ser notificadas à Comissão para avaliação individual”, lembrou o porta-voz comunitário da Concorrência, Ricardo Cardoso.
O resgate do Plus Ultra, portantonão estava entre os casos que deveriam ser submetidos ao escrutínio comunitário, “portanto a Comissão não o examinou individualmente”, afirmou o porta-voz, que indicou ainda que o Fundo de Apoio à Solvência de Empresas Estratégicas (FASEE) através do qual foi canalizado o apoio à companhia aérea foi validado pela instituição comunitária um ano antes de o resgate ter sido concedido.
Fonte: 20 Minutos




