O Polícia Nacional participou, no âmbito da causa Plus Ultra, numa conversa sobre um possível pagamento de 50.000 euros a um “amigo” de Koldo García chamado Miguel Palomerodinheiro supostamente destinado a “cuidar de juízes, policiais e funcionários”. O pagamento teria sido feito pelo empresário peruano Felipe Baca, preso no dia 28 de abril por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro no caso Plus Ultra. Segundo a Unidade de Crime Económico e Fiscal (UDEF) da Polícia, teria sido um pagamento em dinheiro efectuado no final de 2020, como resulta de uma conversa mantida na passagem de ano desse ano.
O contacto da trama com Koldo García ocorreu a partir de julho de 2020, quando a companhia aérea Plus Ultra já procurava “formas” para garantir o resgate, que foi finalmente aprovado em março de 2021 como um empréstimo de 53 milhões de euros da Sociedade Estatal de Participações Industriais (SEPI). Em julho de 2020, a direção do Plus Ultra tinha em andamento duas operações para tentar influenciar a favor do resgate: a do “grupo Zapatero” e a do ex-ministro José Luis Ábalos, que começava a tomar corpo naquela época.
A UDEF se concentra em uma conversa realizada no dia 7 de julho entre o CEO da Plus Ultra, Roberto Roselli, e Rodolfo Reyes, que na época era diretor da companhia aérea. Foi Reyes quem explicou a Roselli como chegar a Ábalos através do advogado Miguel Palomero: “Este é o nosso amigo advogado. Amigo do assistente de Ábalos. Ele está esperando que você escreva para ele para vê-lo amanhã. Sua comida estável ou alguns vinhos“. A essa altura já devia haver uma certa confiança entre Miguel Palomero e Rodolfo Reyes, que transmitiu a Roselli: “Sim, com confiança. Espanha”.
O assessor da companhia aérea disse ao CEO que Palomero era “um cara que se movimenta muito” e disse que tinha entre seus clientes “o vice-presidente da Venezuela”, a atual presidente interina Delcy Rodríguez. Nesse mesmo dia, Reyes contatou Palomero para propor um “almoço” com “o pessoal do Plus Ultra” e disse-lhe que eles precisavam “chegar a Ábalos” ou “à sua direita”. “Vamos tentar”, disse-lhe Reyes.
No dia seguinte, o presidente da Plus Ultra, Julio Martínez Solá, recebeu um telefonema do “secretário de Pedro Saura em nome do ministro” e marcou uma reunião com o ex-secretário de Transportes Pedro Saura. Da mesma forma, foi realizada outra reunião com Koldo García, segundo as mensagens interceptadas. O encontro com Saura foi “agradável e descontraído”, segundo outra mensagem de Julio Martínez Solá: “Era óbvio que nos receberam através de altas recomendações”. Nessa mensagem enviada a Rodolfo Reyes, Solá esclareceu que a função do ministério seria “falar bem da empresa”.
Desta forma, começou a operar a “rota dos Ábalos”, que segundo a UDEF acabou não prosperando, pois prevaleceram os esforços de José Luis Rodríguez Zapatero. Em todo o caso, a Polícia Nacional refere a existência de uma “confluência” entre ambas as operações, e detalha que Ábalos e Zapatero se reuniram para celebrar “um almoço”supostamente. Os contactos com Miguel Palomero duraram ao longo do tempo e, no dia 31 de dezembro de 2020, Felipe Baca disse ao advogado: “Acho que são 50 nesse pacote”. “Bom. Temos que cuidar dos juízes, policiais e funcionários hehehe”, respondeu Palomero.
Baca instruiu-o então a “dar 3.000 euros” a uma mulher chamada “Alejandra” e outras. “2.000” e “Jéssica”em referência a Jésica Rodríguez, a mulher ligada a Ábalos. Da mesma forma, Felipe Baca disse a Palomero para dar 20.000 euros a Rodolfo Reyes – “Você pode dar o dinheiro a Rodoman 20k, por favor” – embora de outra conversa se conclua que ele não foi o destinatário final desse dinheiro.
Fonte: 20 Minutos




