O ex-presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero está totalmente “indignado” com os relatórios da Unidade de Crimes Económicos e Fiscais (UDEF) do Polícia Nacionalque colocam ele e suas filhas como “os principais beneficiários” dos fundos obtidos pelo esquema de tráfico de influência organizado para facilitar a concessão de ajudas públicas à Plus Ultra. Assim, Zapatero teria chegado ao ponto de garantir privadamente que “não vai voltar a confiar” nos relatórios policiais, já que a UDEF não “verificou os dados”.
É o que diz o jornalista Gabriel Sanz, jornalista de Eles levaram as pessoasem entrevista ao canal 24Horas. Sanz é, de facto, uma das poucas pessoas que conseguiu falar directamente com o antigo primeiro-ministro nestes dias. “Ele está indignado porque diz que a Polícia, a UDEF, não compilou todos os dados”, revelou.
“Ele está na mesma situação que qualquer pessoa nesta situação. É preciso ter em conta que está acusado de crimes gravíssimos. Ele é tocado por ele e pelo seu entorno, especialmente para suas filhasque não são acusados, mas investigados, assim como seu secretário”, descreveu Sanz.
Um dos pontos dos relatórios da UDEF aos quais você teve acesso 20 minutos revelar que o ex-presidente do Governo cancelou antecipadamente uma hipoteca de 500.000 euros meses depois de assiná-lo para comprar uma casa em Madrid. Assim, conforme consta do texto, Zapatero e a sua esposa adquiriram uma casa por 580.000 euros, pela qual o Banco Santander lhes concedeu um empréstimo hipotecário no valor de 500.000 euros. 11 meses depois, cancelaram o empréstimo pagando 480.000 euros que a UDEF acredita que viriam do taxas de mordida por Zapatero e sua comitiva.
No entanto, este parece ser um dos pontos com que Zapatero mais “machuca”. O jornalista Sanz explicou que o ex-presidente do Governo garante que o cancelamento desse empréstimo Ocorreu devido à venda de outra casa em Aravaca. “Ele está magoado porque diz que nem todas as informações foram coletadas e garante que essa hipoteca foi cancelada com a venda da casa onde moravam. Atualmente estão alugando uma residência em Las Rozas”.
“O que o ex-presidente tem especial interesse é esclarecer que não há nada de estranho em cancelar ‘a cada passo’ com 498 mil euros porque correspondiam à venda da outra casa”, acrescentou o jornalista, que garante que Zapatero diz ter todas as informações para o provar.
“Por exemplo, a carta da China é mais difícil de provar”, acrescentou Sanz em referência à carta que o Governo chinês enviou a Zapatero para o nomear como intermediário para comprar petróleo à Venezuela, depois de o próprio ex-líder do PSOE se ter reunido em Pequim com vários líderes políticos do país. “Ele garante que não se lembra daquela carta e que este é um processo normal para as empresas chinesas. Assegura que esteve na China e se reuniu com empresas, mas que não fez nenhum acordo para que essa empresa chinesa comprasse uma determinada quota de petróleo venezuelano e que não disse a Julio Martínez – aquele que a UDEF coloca como seu testa de ferro – para fazer qualquer acordo a favor daquela empresa chinesa.
Zapatero insiste que não tem nada a ver com Plus Ultra
Porém, o jornalista afirma que Zapatero insiste que não teve nada a ver com o resgate do Plus Ultra. “Ele garante que Ele não cometeu nenhuma ação ilegal que pudesse ser atribuída a ele. A história é que todos os dados coletados pela UDEF revelam que embora ele não tenha feito gestão pessoal no local ou do seu celular, Nas suas contas e nas contas das filhas aparecem rendimentos com valores que não são justificados.
“Ele agora está focado em negar a hipoteca e a empresa chinesa. Aqui a figura de Julio Martínez é fundamental e em ver o que ele dirá perante o juiz. Zapatero garante que Ele não lhe deu nenhuma ordem nem lhe permitiu agir como intermediário”, acrescenta o jornalista, que esclarece que o advogado do ex-líder socialista também recomendou que o próprio Zapatero permanecesse em silêncio sem fazer declarações públicas.
“Uma coisa deve ser levada em conta. Acima da figura histórica e do político, está a pessoa e estamos falando de crimes gravíssimos pelos quais se o promotor seguir as instruções terá que pedir uma pena que será de muitos anos de prisão. Além disso, todo acusado na Espanha tem o direito de não testemunhar contra si mesmo, ou seja, de mentir. Agora acredito que Zapatero está lutando para se salvarmas sobretudo para salvar suas filhas e suas secretárias”, afirmou o jornalista.
Fonte: 20 Minutos




