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O limite dos direitos

Un adolescente en silla de ruedas.Foto de SHVETS / Pexels

Durante anos, a sociedade felizmente avançou no reconhecimento de direitos. Direitos sociais, de saúde, educacionais, trabalhistas ou direitos vinculados à deficiência e à dependência. Nós entendemos que as pessoas devem viver com dignidade e que ninguém pode ser excluído devido à sua situação pessoal. Esse progresso é inalienável. Hoje quero abrir um debate incômodo, o que acontece quando o reconhecimento dos direitos não gera os recursos necessários?

Os direitos podem e Eles devem aspirar a ser universais. Os recursos são finitos. E esta realidade, embora evidente, parece ter-se tornado um assunto tabu. Cada nova lei incorpora mais benefícios, mais garantias e mais obrigações para as administrações públicas. Porém, numa proporção inversarecursos económicos, humanos e estruturais necessários para tornar efetivos esses direitos não crescem na mesma proporção. E aí aparece o grande risco: gerar uma sociedade frustradaonde as expectativas jurídicas colidem frontalmente com a realidade.

No campo da deficiência isso é vivenciado todos os dias. Famílias que têm direito reconhecido, mas não recebem o benefício. Pessoas dependentes com serviços homologados que demoram anos a chegar. Centros saturados. Profissionais exaustos. Ajuda insuficiente. Leis que prometem muito mais do que o sistema pode realmente sustentar.

Direitos sem memória económica realista

O problema não é reconhecer direitos. O problema é fazê-lo sem um planeamento sério, sem uma memória económica realista e, sobretudo, sem uma reflexão colectiva sobre as responsabilidades partilhadas. Porque parece que construímos um modelo onde Tudo recai exclusivamente sobre o Estado, como se a sociedade civil, as empresas, as comunidades ou mesmo cada indivíduo não tivessem responsabilidade na construção do bem-estar comum.

Talvez tenhamos caído numa perigosa cultura de exigência sem corresponsabilidade. Exigimos direitos, mas falamos pouco de obrigações coletivasde verdadeira solidariedade ou como cada um de nós contribui para a manutenção do sistema.

A inclusão, os cuidados para deficientes ou a protecção social não podem depender apenas de leis bem escritas. Eles precisam de financiamento, profissionais, compromisso político e também consciência social. Precisam de cidadãos que compreendam que defender direitos implica assumir responsabilidades.

Poucas coisas geram mais frustração do que prometer o que não pode ser cumprido.

Fonte: 20 Minutos

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